quarta-feira, 28 de outubro de 2009

"S. SARAMAGO" (d'O Evangelho)

“S. SARAMAGO” (d’O Evangelho*)

Naquele tempo, ia Jesus com os seus discípulos caminhando por um andurrial cheio de pedras e pedregulhos, - ainda não havia os lobbies do alcatrão-, sob o sol escaldante que estorricava os cornos ao diabo, - que já naquele tempo existia - com os pés a doer porque as sandálias eram pouco confortáveis, e vencidos pelo cansaço, sentaram-se debaixo de uma figueira para sornarem um bocado e entrarem em contemplação meditativa, embalados pelo cavernoso ressonar do “grupo”.
Não se ouvia a irritante poluição sonora dos carros da polícia quando protegem cão grande, ou das ambulâncias das pildras quando algum recluso se arrependeu do mal que fez.
Como naquela pequena colina, quase rapada de verdura, os pinheiros não eram nenhuns, também não se ouviam as abrasivas sirenes dos bombeiros em frenéticos movimentos para abafarem os fogos criminosamente ateados pelos maubeiros. O silêncio era de paz! Podia-se ouvir o zunir das moscas, o zumbir das abelhas e o cantar das cigarras naquela soturna calmaria. Ninguém mais piava!
Nisto, Pedro, o mais brutamondes e o menos meditador de todos, inclina a cabeça para a esquerda e põe a mão em concha sobre orelha e... Zap, plac! Zap, Plac! Zap, plac! (?...) - Vem aí alguém ?!... –murmurou em surdina para todos, que acordaram meios zonzos. Entreolharam-se em sinal interrogativo e ao mesmo tempo de cagaço, e Jesus ao ver aquilo disse:
- Aquietai-vos, homens de pouca fé. Estais comigo e o meu Pai proteger-nos-á. E eles aquietaram-se mesmo.
Zap, plac! Zap, plac! Zap, plac (?…). Então quando todos tinham os olhos pregados na primeira curva à sua esquerda, viram assomar um velhote, com a túnica rota e cheia de remendos que escondia uma esquelética carcaça, com um olhar de fariseu por detrás de uns óculos que mais pareciam duas montras, e com os pés meio mumificados enfiados numas sandálias com solas de casca de palmeira, numa das quais havia uma tira de couro cru descosida. Zap, plac! Zap, plac ! Zap, plac ! Lentamente arrastando os pés sob o peso da consciência, foi-se aproximando e acercou-se do grupo. Quando todos o olhavam com interrogação e espanto, (?!) numa baforada de bom camarada, cortou o silêncio:
- Boa tarde Mestre.
Quem és tu, pobre homem? – Perguntou Jesus.
- Eu sou Saramago o escriba de Jerusalém. Aquele a quem Tu admoestaste por causa das suas baboseiras e blasfémias sobre Ti o os Teus seguidores.
- Já sei, respondeu Jesus. E não me digas que vens para aqui com a mesma ladainha?!..
- Tu és aquele que escreveu a condenar a minha pregação sobre o verdadeiro comunismo e que os Portugueses censuraram?
- Mestre, mas eu...
- És aquele que escreveu que a Bíblia “é um manual de maus costumes”?...
- Mestre, mas eu...
- Cala-te, -disse Jesus. Agora quem fala sou eu. Quem és tu afinal, miserável réptil do deserto, para interromper a minha divina interpelação? E Saramago ruborizou, engoliu em seco e calou. E Jesus, depois de lançar um olhar invectivo e reprovador, continuou:
- Foste tu que condenaste ao despedimento vinte e três redactores, quando foste chefe de redacção do Diário de Notícias, por eles não querem comungar das tuas ideias e agora ficas chateado por te condenarem?... Isto é que tu me saíste um grande democrata!? Um grande patife!..
- Mas eu, Mestre...
- Outra vez?... Fecha-me essa imbecil matraca que ainda não acabei!... Mas, para abreviar as coisas, porque a minha condescendência divina é grande e além do mais tenho a boca seca, - disse Jesus com mais suavidade - assim não, meu filho (da mãe); em verdade te digo, que se não mudares de ideias e não deixares de escrever ou de dizer patacoadas, é certo e sabido que nunca entrarás no reino dos Portugueses, nem tão pouco no reino dos Céus. E Saramago, esticando para a frente o pescoço magro semelhante ao de uma tartaruga gigante e olhando o para o chão com cara de macambúzio, disse:
- Mas, Mestre, estou arrependido!... Sei que me excedi, não quero polémica e por isso é que Te tenho procurado por toda a Galileia. Olha o estado deplorável do meu corpo e do meu espírito!?
- Ah, bom!... – Aí Jesus condoeu-se. Se tu o dizes, estás perdoado e farei de ti um pescador de homens, mas antes quero aconselhar-te que, sobre o teu corpo, vás tomar banho porque que cheiras a mijo que tresandas; e sobre o teu espírito que medites bem as coisas antes de as executares e deixa-te de imbecilidades e calhordices. Que meu Pai te abençoe - disse Jesus antes de concluir. E agora deixa-me em paz e desanda; e tem juízo na tinênta, porque tens andado muito arredio. E Saramago desandou, mas mais aliviado.
E naquele momento Saramago arrependeu-se – mas não se converteu – e prometeu trocar os bens terrenos pelos bens marítimos. Se bem o disse, melhor o fez, e até foi viver para uma ilha como eremita, mas à grande e à francesa, não como um simples proletário, mas como um esmerado fascista.



António Figueiredo e Silva
Coimbra

*Do Evangelho segundo
António Figueiredo e Silva

Blog: antoniofigueiredo.pt.vu

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

CHINQUILHAS A PRESIDENTE

Ao ser humano não interessa saber
o que é de mais ou o que é de menos,
mas ter a noção de suficiente.

CHINQUILHAS A PRESIDENTE
(História da estupidez do quotidiano)

Como todas as histórias para crianças, devia começar por, “era uma vez”!... Porém, esta vai ter um início diferente, porque o mundo mudou e os reinos de fadas também faliram.
Rui Chinquilhas* da Silveira, seu nome de baptismo, em tempos idos também conhecido por “Queixinhas”, vitupério que auferiu devido à sua patética maneira de ser, viveu numa remota aldeia transmontana, algures numa das encostas da Serra do Larouco, onde as torgas e as carquejas que ladeavam as bordas do único caminho que dá acesso ao pequeno povoado, sideradas pelo calor estival, estalavam sob os pés de quem passava. A povoação não era muito grande, constituída por umas centenas de almas que, algumas movidas pela sua boa fé e por algum papaguear manhoso que lhe palravam aos ouvidos já meio moucos da velhice ou sonhadores pelo temporão amadurecimento da idade, ainda acreditavam nos “milagres” dos politiqueiros, de boca aberta e coração cheio de esperança.
A família do Chinquilhas até gozava de alguma consideração social para a época, porque eram donos de “avantajados” regos, (em Trás-os-Montes, muitas propriedades) entre courelas, lameiros, poileiras**, bardos e socalcos. Enfim, viviam medianamente, em relação ao grosso da população e até eram pessoas de bem, o que não obsta para uma boa figueira não dê figos fanados.
Neste meio foi criado o Chinquilhas, com mais afagos do que os outros da sua idade e quando entrou para a Primária, já se mostrava um estupidozinho armado em dirigente não impedindo no entanto as correntes neuronais do seu intelecto de funcionarem mal; mas os pais, contemplavam ali um grande crânio, um fora de série, um prodígio – a velha história da águia e a coruja.
O Chinquilhas foi crescendo naquele irreal ambiente onde não sentiu o aperto tenaz e persistente dos calos da vida e o rilhar do cinto da necessidade, iniciou os estudos secundários, sempre embevecido pela vaidade e por uma puerilizada obstinação, sua fiel sombra pela vida fora.
Um belo dia, para ver se lhe limavam os miolos e desconhecendo que o que é genésico é irreparável, os pais resolveram expedi-lo para os “altos estudos” numa academia ou instituto do nosso país onde também os burros têm acesso e alguns, como o Chinquilhas, entre a cabulice e o encornanço lá conseguiu um canudozeco cuja licenciatura (?) apenas lhe permitia ver Braga e farejar um emprego cinzento como funcionário público, que pela saturação no sector lhe angariou o lastimável posto de “trabalhador” desempregado.
O Chinquilhas, a quem um acidente da Natureza retirou a inteligência, começou então por meter a sua mediocridade na política, a tábua de salvação de avantajado número de incompetentes, na tentativa de “singrar” na vida, como muitos iguais a ele têm apostado e até conseguido.
Em determinada altura surgem as eleições autárquicas para o seu povoado e ele resolve candidatar-se à presidência da autarquia local a favor de um partido na altura existente, ao qual há anos vinha prestando vassalagem através da sua filiação e militância activas, que demonstravam uma subserviência doentia, próxima da loucura do fanatismo.
Com ideias flutuantes muito acima da realidade, promessas ad hoc, ataques aporcalhados e distorções da verdade, lá conseguiu subir ao podium com uma margem que, apesar da fraca dimensão, não era acreditada.
Alguns, no efervescente barulho do seu silêncio, calados como ratos, gritavam em profundo solilóquio:
- Chinquilhas a presideeente!... Chinquilhas a presideeente!... Chinquilhas a presidente, carago!? Ele dá tudo, há que aproveitar!
É caso para evidenciar o velho ditado: “quanto mais burro, mais peixe”.
Empossado da realidade da vitória, lá foi, de peito inchado pela empáfia, cambaleando ébrio de prosápia e “imponente” caturrice, próprias de um dromedário, tacteando as areias movediças no deserto da sua iniciação de representante tentacular do governo central, que na sua débil ideia, pensava ele, eram de fácil transposição.
Porém, o tempo ia passando e as suas promessas por cumprir eram arredadas para as bordas do manifesto eleitoral, que a muitos serviram de papel hegiénico.
Nas assembleias o povo começava a rugir:
- Onde estão os meus medicamentos de borla?...
- Onde estão as ajudas aos meus proventos familiares?...
- Então e a nossa rua?...
Por outro lado, a oposição em nome do povo, começou a apertar as tarraxas com a exigência da concretização das mesmas e o Chinquilhas, entre a sua voz efeminada e a gaguez nervosa, tremendo como um bancilho***, lá ia esgrimindo a sua paupérrima defesa em desespero de causa, em seu nome e da sua congregação.
A dada altura, as grilhetas apertaram tanto, que ele, o Sr. Presidente Chinquilhas, não aguentou a pressão e resolveu abdicar do “trono” onde assentava a sua ingloriosa glória.
Subiu mais alto do que o seu poder intelectual permitia e… o tombo foi grande!
Foi o Sr. Presidente Chinquilhas e acabou ser o vulgar e desprezível “Queixinhas” de sempre, voltando à estaca zero.


António Figueiredo e Silva
Coimbra

*Leia-se Tchinquilhas.
Por ironia do destino, este vocábulo transmontano
é sinónimo de pessoa de baixo préstimo moral, despersonalizada
com miolos fragosos e rica em tramela.

**Baldios.

***Palavra da minha terra, que se dava aos vimes
com que se atavam as paveias (molhos) de qualquer coisa.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

TGV A VAPOR

TGV A VAPOR (TGVV)
A viagem de comodidade propagandística feita por José Sócrates no TGV, entre Paris e Bruxelas
, em 17 de Setembro transacto, ao que parece, despertou na União Europeia apetência para abrir a pestana e lançar o olho fiscalizador sobre o nosso crescimento económico e aplicar uma travagem não às quatro, mas a todas as rodas do nosso TGV transfronteiriço, diluindo em águas de bacalhau um sonho de tão ambicioso projecto do nosso Primeiro-ministro.
Não obstante isto, ainda aparece agora a banhada das eleições legislativas de 2009 que, comprovando a “liberalidade” dos portugueses e contrariando a de José Sócrates, não há governo de maioria absoluta. Parece que o pôbo não gostou do aperto da cilha.
Contudo, por incrível que pareça, penso que devido à tenacidade, pesporrência e arrojo, do nosso Primeiro-ministro, ainda vamos ter esse “valioso” meio de transporte, nem que para isso tenhamos que recorrer à antiga tecnologia.
Certamente que compreenderei a sua frustração, contudo, como disse Manuela Ferreira Leite, Portugal não é uma província espanhola. Aaapoiaaadaaa!
Bem, mas se ele meteu em cabeça que tem por objectivo colocar Portugal na vanguarda dos países Europeus, em tudo menos no sector económico, que anda pelas ruas da amargura, penso que vai avançar com o TGV(V) a carbão e áuga, – dispensando até o pitróplio, como forma de protesto - porém com a aplicação da mais alta e actual tecnologia da inginharia portuguesa, baseada no desenvolvimento da spiritalia, invenção atribuída a Herão de Alexandria no séc. I d C.
De certeza que teremos o TGVV (Transporte de Grande Velocidade a Vapor).
Ficarei feliz se esta ocorrência se vier a concretizar, porque é mais uma oportunidade que temos de mostrar ao mundo a fina luminescência do nosso intelecto, no que diz respeito, à inventividade e arrojo dos grandes crânios nossa nata científica.
Mais uma vez mostraremos ao mundo que nunca emperramos os nossos movimentos pelas dificuldades que se nos deparam e dispensamos até, as ajudas da União Europeia.
Certamente que teremos o BPP e o BPN, que não se negarão ao financiamento absoluto de tão soberbo projecto.
Reparem que não há gastos de energia eléctrica, nem de naftas, nem de gasolinas; apenas carbão e áuga.
Podem com toda a pertinência perguntar:
Então e quanto à velocidade, é de cágado?...
Não!... Pelas minhas contas, será sempre directamente proporcional à pressão do vapor dentro da caldeira, podendo ser por isso a velocidade ilimitada a puxar toda aquela caldeirada.
Subsiste todavia um problema, que só agora me veio à mente e que consiste na defumação dos colarinhos brancos, que por certo os caracterizará com uma fragrância apresuntada ou de odor a chouriço transmontano (muito bom, por sinal) mas cujo problema será de fácil resolução.
Para esse efeito sugiro ao governo a criação de uma lei que possibilite gratuitamente ou incluído no bilhete, a distribuição de fatos-macaco de ganga tipo maquinista, capacetes amarelos ou penicos de plástico cor-de-rosa fabricados na China, que saem mais em conta e máscaras anti-fumos para uma integral protecção das “fatiotas” que os ilustres passageiros usam, nas suas “digressões” além fronteiras.
No fim, o que interessa é termos um transporte de alta velocidade capaz de correr mais do que os outros e com mais baixo custo por viagem.
Já agora preenchemos uma ambição!... Ou mais, um sonho do nosso Primeiro-ministro, que disse:
- “Eu gosto muito de comboios e gosto de alta velocidade”.
Cá para mim é melhor ajudá-lo na concretização deste sonho, do que deixá-lo enveredar como piloto de testes de aviões “supersónicos”, fabricados em Portugal como há bem pouco tempo ele anunciou, não vá o Diabo tecê-las, ele ir desta para melhor!…
Faz-nos cá muita faltinha.
Biba o TGVV!

António Figueiredo e Silva
Coimbra

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UMA SEMANA PARADO (HISTÓRIA)

CURTA HISTÓRIA DE UM INTERREGNO

Alguém, por "amor à cor da camisola", descobriu a minha password e alterou-a, originando o corte do meu acesso ao blog e também ao meu email.
São os frutos da ciência electrónica e da sacanice humana.
Sei que há quem não aceite as minhas ideias, mas faço por compreendê-los, poi é esse o meu dever, como cidadão e como democrata.
Sinto que existe à minha volta um fervente borbulhar de indignação que se esconde atrás de uma ganapada que a ninguém interessa e muito menos a mim.
Reposta a normalidade da situação, vou dar continuação às minhas crónicas e continuarei a assumir a responsabilidade do que escrevo.
Aos meus lentes, independentemente dos seus ideais ou dogmas, das suas críticas edificantes ou arrasadoras, o meu muito obrigado!... Tudo serve para eu apurar mais a minha prelecção.
Vou continuar!
António Figeiredo e Silva

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A ALBARDA NUM É P'RÓ BURRO

"ALBARDA QUE NUM É P’RÓ BURRO"

É caso para dizer que os tempos são outros! Já lá vai o tempo em que um proletário com um bocado de paleio, enfiava um boné na tola e através de discursos de impregnados de inflamação revolucionária, conseguia distorcer os cérebros meio amorfos das massas e catalizá-las para as suas arestas de pensamento; instalando seguidamente a ditadura do proletariado e concedendo aos seus apoiantes umas benesses como uns campos de trabalho forçado em território Siberiano, onde o Inverno era soalheiro e o Verão dava para fazer sky. Tudo porque eram burgueses e fascistas.
Agora é outra loiça!? Apresentam-se arreados de bons fatos, se calhar confeccionados em Londres, como os dos maiores fascistas dos nosso burgo, de quem tão mal sempre disseram, - e dizem - armados em “lulas”, depois de se terem apresentado como candidatos às presidenciais, cheios de patriotismo e compaixão dos trabalhadores, - outra vez? - sobre os quais sorrateiramente equilibram os seus tachos. Assim tem feito o kamarada Jerónimo, seguindo religiosamente as directrizes da nomenklatura.
Explodindo baba, ranho e infindas nuvens de gafanhotos, com o seu paleio assaz reticente e carente fluidez na dicção, lá vai mandando umas repetitivas traulitadas fora de moda, já pouco convincentes, porquanto com puída razão, que tendem estar em desacordo com a imagem “proletária” que afirma representar e pretende transmitir. Não quero dizer que não esteja certo, porém, por muita água choca que exista, há sempre quem com ela mitigue a sede.
As massas, a estratégia, os trabalhadores, o fascismo, a precariedade o capitalismo - que se não existisse não existiria trabalho - a derrota da direita, a subida da esquerda, etc., são os ingredientes usuais, sem os quais não consegue fazer o escabeche de cebolada picante e criticista.
Como uma marioneta, lá vai arreando as marteladas que lhe são autorizadas a mandar segundo discursos pré fabricados pelos mentores do partido, num ciclópico esforço para tentar uma imitação rasca dos símbolos da pauta musical, daquele cuja inteligência se distancia da dele, a milhares de anos-luz: o Dr. Álvaro Cunhal!... Que, apesar de nunca eu ter perfilado nas suas ideias, sempre o admirei pelo seu pragmatismo e persistência na defesa do porquê, a que ele me parecia ser fiel, muito embora não tivesse nada a ver com democracia.
Esse não precisava que lhe fizessem os discursos; a retórica revoltada fluía-lhe do interior da alma imbuída numa crença em que ele cegamente acreditava e pela qual pelejou até ao seu derradeiro esforço. Era um autêntico revolucionário!... Um óptimo catalisador de massas!
De resto, o actual leitor de retóricas do PCP, fraco precursor do Mestre, apesar de todo o seu esforço na imitação de tão contestada figura, a meu ver não convence; faz-me lembrar a figura principal que deu origem ao livro “O MANDARIM” de Eça de Queirós.
Um dia irão ver que “A ALBARDA NÃO É PARA O BURRO”.

António Figueiredo e Silva
Coimbra

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

ESTUDAR E "ENCORNAR"

ESTUDAR E “ENCORNAR”*


O estudo, bastante árduo por sinal, é baseado na compreensão, na investigação, na lógica das conclusões e até na intuição para cujos predicados é necessária inteligência. Indubitavelmente esta tem que ser uma inteligência nata, propensa aos desafios e à destrinça da problemática dos mais diversos sectores do mundo em que vivemos; por isso, capaz de se embrenhar nos complicados meandros da eurística e da hermenêutica, com precisão e sem perder o seu azimute.
O estudo que não passe pela compreensão e apenas se baseie na assimilação de tudo quanto os nossos sentidos alcancem, armazenando o seu produto nas prateleiras cerebrais até que se proporcione uma descarga autoclísmica para o exterior, não é estudo, mas sim, “encornanço”, que não leva a lado nenhum porque o cérebro deficiente não consegue equacionar os dados armazenados à “marrêta” e criar conclusões, abrindo brechas na estrutura dos dados assimilados, como se as sinapses estivessem bloqueadas ou os neurónios com a sua polarização invertida.
Quem “encorna” não estuda e apenas se limita a fazer uma clonagem do conteúdo científico, absorvendo a sua mancha como um mata-borrão. Posteriormente, quando solicitado o seu conhecimento, fica automaticamente repetindo o que tem gravado no cortex cerebral, o que para muitos já não é nada mau, pois nem toda a gente detém essa “deficiência”.
-Aquele é “inteligente”!... Não precisa de estudar. Ouve tudo o que professor diz e já está.
Assim vai vivendo e gozando de uma fama que foi mal atribuída, e, regurgitando o que apreendeu mas não aprendeu, vai “subindo” na hierarquia social cheio de presunção, mas sob a persistente e implacável perseguição do conhecimento absoluto da sua deficiência congénita que em horas de aperto o desmascara, tornando-o por vezes irreverente, teimoso, ingrato e mal educado, ao aperceber-se que realmente não sabe “nada”, transformando-se assim numa presa fácil para predadores mais bem preparados e com calo no cú.
E é mais ou menos dentro destas linhas que se formam aqueles a quem, na gíria popular, é atribuído o nome sarcasticamente depreciativo de “doutores da mula ruça”.
Muitos, provavelmente nem serão merecedores desse nome, porque a sua cabeça vale menos do que a do burro* que “montam”.


António Figueiredo e Silva
Coimbra


*Não quero aqui ofender os touros ou os burros
e muito menos quem tenha o complexo deles.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O QUEIXINHAS

O QUEIXINHAS


Perde-se na imensidão dos tempos a existência desta entidade tão típica e tão enternecedora! Tadinho!
É por natureza o personagem mais rasteiro que vagueia, meio desnorteado, pelos córregos mais baixos da nossa conjuntura social.
O Queixinhas é por deferência um especialista falhado, mas rico na criação e ampliação de situações lunáticas, que pelo seu cariz de imprestabilidade lhe vão granjear epítetos pouco abonatórios e dos quais ele não gosta, atestando esse desconforto com carpidos lamentos onde quer que se encontre; na escola primária, nas reuniões, nos debates, actualmente nos blogs, nas usuais conversas de café, nas estações de rádio, na televisão, nos jornais, e, em último recurso, até nas paredes e nas portas das retretes públicas, que talvez considerem o melhor meio de desabafar, porque escondem a cara do seu autor, apesar de muitas vezes autografados. Aproveitam ao mesmo tempo para rabiscarem um desabafo espiritual enquanto procedem a outro: o desabafo físico, forçado pelo sistema nervoso tenso, a actuar sobre os movimentos peristálticos intestinais. Que alívio!!!
O Queixinhas é o poeta falhado da nossa fauna Humana, pelas lamentações que o espírito não lhe consegue digerir e compulsivamente as tem que vomitar, para aliviar a flatulência da personalidade empanturrada.
É aquele que arranja lenha para se queimar, por não estar à altura de apagar o fogo que ele próprio ateou; é aquele que mija contra o vento, admirando-se ulteriormente da sua cor esquálida, quando se admira ao espelho; é aquele que não sabe dizer tátá sem deixar de ser tótó; em fim, é aquele que não sabe adaptar o seu mundo ao mundo em que vive, por falta de conhecimento desse mundo, e, o mais grave, de si próprio.
O Queixinhas já vem de longe! Quando eu, puto ainda, andava na escola primária, já por lá existiam alguns.
- Minha Sra., o Manel cagou-se!... Minha Sra., o Jaquim atirou-me um bocado de ranheta!...
Mas isto era dito com uma entoação musical bastante engraçada e própria de criança.
Claro que os queixinhas começam sempre de pequeninos, acabam por se tornarem graúdos e assim continuarão até que a vida os perca de vista.
Evidenciando o seu estado de maturidade física mas não intelectual, ele é semelhante ao velho queixinhas da escola do a, e, i, o, u, contudo de forma diferente, devido ao avanço tecnológico, que permite uma maior e mais rápida divulgação dos ressentimentos que sente e por debilidade própria é incapaz de estancar.
- … Sra. Professora, até andam p’raí àboar umas coisitas que dizem e escrevem sobre mim e não são verdades puras, mas talvez parciais, se bem que, com grande incidência na certeza.
E interiorizando o pensamento prensado e gemido no sarcófago da alma, num compulsivo e sepulcral silêncio, “diz”: dê-lhe doze palmatoadas em cada mão.
O Queixinhas é assim!?... Conhecem-no?...
Existem muitos!


António Figueiredo e Silva
Coimbra

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terça-feira, 22 de setembro de 2009

FANTASIAS CLARAS

“FANTASIAS CLARAS”

Quando o peróxido de hidrogénio ou outro produto químico qualquer, se alastra na piolheira capilar, tem grandes possibilidades de, através da porosidade do couro cabeludo, invadir o tecido cerebral, dando às ideias uma tonalidade e uma constituição de gema de ovo mole, onde a realidade é acometida por uma aurora boreal, que faz com que as ideias pareçam claras, não o sendo contudo.
Não são muitas, mas também não é incerta a existência de algumas “abóboras porqueiras” com ideias claras, cujas mentes estão ainda por clarificar, mantendo-se estas inquinadas por genuínas fantasias, decorrentes de um inveterado ou manhoso facciosismo cuja inseminação lhes foi geneticamente injectada ou embutida à “pancada” pela insistência do malho de borracha dos interesses pessoais, seus únicos fins.
Esses espíritos pobres de nobreza da alma, mal alinhavados por natureza mas presunçosos por condição, merecem a condescendência democrática - só mesmo democrática - dos mais sensatos e dos mais compreensivos, apenas por uma questão de miseração.
Porque eles não sabem o que dizem, não dizem o que pensam ou não sabem já o que hão-de dizer; balizam a sua retórica com epítetos fedorentos, que o bolor da embustice com toda a severidade corrói, na esperança de que os portugueses grudem ao traiçoeiro látex político das suas seringueiras.
Limitam-se, como último recurso, ao aquecimento da maledicência - vocábulo comummente utilizado por José Sócrates nas suas surtidas vocabulares – na forja da matreirice e atiram as borras residuais por esse processo conseguidas, para, num último alento envolvido em aflição, tentarem denegrir a imagem de quem subsiste às afrontas com a cabeça levantada e fora da linha de água que é constituída pelas escórias da politiquice.
Ser-se honesto, vale sempre a pena.
E ainda há gente no meio destas escórias de língua trapeira, que se dá ao luxo imbecilizado e falho de modéstia, de pretensiosamente “rapar” da sua pobre faixa curricular, como se isso os presenteie como donos absolutos da sabedoria, da doutorice, da erudição! Mas que magnanimidade tão sórdida!... Tão cheia de mofo!... Tão patética!... Tão imbecilizada!
Essas borras residuais enveredam sempre pelo trajecto agressivo, martelando consecutivamente na bigorna da repetição. São de mentes fixas, pouco dialogantes, a não ser com aqueles que comungam beatificamente da mesma religiosidade. Fazem um xinfrim dos diabos, convencidos de que outros embarcarão na sua (deles) pandeirêta. E é bem verdade que o fogo serrado e poluente não lhes tem trazido maus resultados!? - A ver vamos, como diz o cego.
Atacam sem mãos, mordem sem dentes, arranham sem unhas, mas picam com ferrão, lamentando-se depois, quando o céu lhes cai em cima. Não gostam nada de aceitar devoluções de encomendas cuja paridade é mais ou menos de peso e medida equivalentes às que enviam.
São como a ceratitis capilata* que, em ordenados pelotões, têm dizimado os citrinos das nossas aldeias, das nossas vilas, das nossas cidades, do nosso país.
Abri os vossos olhos, apurai os vossos sentidos, aperfeiçoai a vossa mioleira e clarificai as vossas ideias. Só assim, podereis proteger os laranjais deste território, contra a invasão dessa praga destruidora.
Só desse modo podereis afirmar que realmente tendes ideias claras.



António Figueiredo e Silva
Coimbra
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*Mosca do Mediterrâneo.





quarta-feira, 16 de setembro de 2009

ASINUS ASINUM FRICAT

ASINUS, ASINUM FRICAT


Récuas deles não faltam nos mais diversos quadrantes do nosso zoo. Nós sabemo-lo. A eles, o conhecimento de tal facto também não passa despercebido; só que existe um impedimento serrado que os “impossibilita” de descobrir as carecas entre si por causa de uma hipócrita maleita chamada deontologia sectária.
Este filosófico conceito, criado para que exista um respeito mútuo entre “profissionais” e o público em geral, tem vindo a ser abusivamente utilizado para o encobrimento de verdadeiras azémolas que a esmo proliferam no nosso meio, porém academicamente certificadas – não doutoradas -. Seria um paradoxo pensar-se que em todas as profissões ditas elitistas, os seus elementos fossem todos considerados a nata da sabedoria. Porém, tal não acontece. Seja na economia ou na política, na medicina ou no direito, na engenharia ou na arquitectura ou noutras profissões quaisquer, o condimento da burrice que tempera muitos dos seus elementos é um facto real. Só que, quanto maior for a orbita social, mais encobertas são as patacoadas, pela coesão dissimulada, baseada na dita deontologia, que deixou de ser a teoria dos deveres morais, do bem e do mal, do que é lícito ou ilícito, para abarcar também a confidencialidade do leque de incompetências, porque fica mal dizer mal do colega de profissão, do mesmo club, do mesmo partido, ou da mesma equipa, ainda que este seja uma autêntica besta ou uma nulidade em absoluto. Daí que os romanos, na sua refinada sabedoria, chegaram à conclusão de que um burro infalivelmente protege sempre o outro, claro está, desde que envergue a mesma camisola, viva no mesmo “curral” e coma à mesma “manjedoura”. Contudo, não deixam por isso de se escoicinhar entre si, donde poderão subsistir alguns hematomas psicológicos que são sol de pouca “dura”, porque vivem debaixo da mesma “cúpula” e comem da mesma “gamela”; mas sem transpirar nada para o exterior do “estábulo”.
É por causa desta reciprocidade proteccionista hipocritamente disfarçada, e do esfreganço mútuo, que os burros vão passando despercebidos no meio de nós e quando descobrimos o resultado das suas burricadas, ou apanhamos alguma patada, já é tarde para lhe prendermos os cascos e lhe enfiarmos a cabeçada, a forma mais ortodoxa, todavia mais eficaz de os levar ao tronco do ferrador.
Se algum prevarica, todos o rodeiam, montam a sua protecção e coçam-lhe o costado com a invenção das mais disparatadas desculpas, reabilitando-o para que a récua continue comendo do mesmo monte de palha, numa forçada e aparente simbiose de camaradagem e sincronia.
Isto é assim pelo menos desde tempos dos Romanos, e assim continuará a ser, por todos os séculos, até que a comichão lombar se acabe. Aí oooh!
Por conotação, é precisamente isto que tem vindo a acontecer entre os nossos políticos, com mais incidência nuns do que noutros. E não só!?


António Figueiredo e Silva
Coimbra

* um burro “esfrega” o outro.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

É BÊ-LOS À’BOAR!...

A Boeing, fábrica americana de aviões, cuja fama se estende a nível internacional, já treme dos pés ao couro cabeludo, perante a inusitada afirmação do nosso Primeiro-ministro José Sócrates, ao anunciar que “a partir daqui, Portugal fabrica aviões”.

Isto é que vai ser bê-los à’boar, rasgando as entranhas dos céus de Portugal e certamente as coxas do resto do mundo, desta vez por ares nunca d’antes nabegados com abiões nunca d’antes inbentados.

Foi uma afirmação proferida com todo o orgulho, pragmatismo e “convicção”. Bem, não é caso para menos, porra!?

Até eu fiquei apardalado! Fabrico de aviões no nosso país?!... Que bom - sonhei!

Como tenho uns anitos de técnica aeronáutica e apesar das minhas longarinas, nervuras, cérceas e stringers da minha estrutura estarem um bocado aluídas e debilitadas pela fadiga do material, ainda auguro possibilidades de arranjar por lá um tachito para servir de muleta à minha frugal reforma, que não é como a de ex-deputado nem tão pouco equivalente à do mais reles político com oito anos de “trabalho” investidos a trabalhar o parceiro.

Eu, artolas, pensava que de grande dimensão só existiam as fábricas FBP, (Fábrica Braço de Prata, de armamento) FAF, (Fábrica Alentejana de Fisgas, também de armamento, mas artesanal) Fábrica de “bólides” Sado, que penso até já ter fechado, sem primeiramente ter entrado, como permite a Lei, em Lay Off e as FTC’s (Fábricas de Transformação de Cortiça) direccionadas à produção de rolhas para arrolhar as bocas que tendem a transformar virtualidades em certezas e políticas em politiquices.

Bem, tudo isto era o que eu pensava, em função das expansivas locuções do nosso Primeiro-ministro, aquando do lançamento do primeiro calhau para a construção das referidas “fábricas de aviões”, porque afinal, a realidade é outra.

O que vai existir sim, é uma fábrica de componentes destinados à aviação, como o fabrico de asas, e outra de materiais heterogéneos (compósitos) direccionados à construção de caudas de aeronaves. Em fim, indústrias de componentes para fins aeronáuticos, que ao que sei, não abouam por si sós, a não ser no meio de uma zaragata interpessoal, deflagrada por alguma atitude menos própria de algum elemento mais moncoso.

“A partir daqui, Portugal fabrica aviões”!... Foi uma frase, que em gíria aeronáutica eu considero uma expressão abortada à descolagem da retórica, no aeródromo dos ouvidores. Foi o que se pode chamar de uma real gafe; se intencional ou não, somente ao Primeiro-ministro é dada a primazia da réplica.

O seu objectivo todos podemos aventar, porém nunca afirmar, porque a densidade do ar pode aumentar e estraçalhar todos os abuões que abouam nos nossos neurónios cerebrais.

E para encerrar o sonho que tive e a realidade que descobri, acabo com uma frase de Lao-Tsé, “A alma não tem segredo que o comportamento não revele.

António Figueiredo e Silva

Coimbra

Blog: antoniofigueiredo.pt.vu

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A CORAGEM DE QUEM A NÃO TEM (HISTÓRIA HILARIANTE)

A CORAGEM DE QUEM A NÃO TEM
(HISTÓRIA HILARIANTE)

Um belo dia, em que a preguiça tomou conta de mim, resolvi “viajar” um pouco na internet.
Para o que me havia de dar?!... Não é meu costume, mas resolvi ir ao site que depois vim a verificar ser “sabiamente” (metáfora) gerido pelo “distinto Sr.” (metáfora) Rui Cabral, que penso ser o Sr. Rui Jorge da Silva Cabral, - porque anda p’raí um outro Sr. Rui Luzes Cabral, armado em “papagaio eloquente”, que penso não ter nada a ver com a mesma pessoa,* ou então tem vergonha do seu nome!? - www.psloureiro.blogs.sapo.pt/** onde pude ler a grande patacoada abaixo escrita, em que criticava atamancadamente e com alguma pusilanimidade o slogan,

HERMÍNIO LOUREIRO
Um Amigo

para o qual foi maquinado o pueril, pobre e asino comentário, que abaixo se segue.

*Mas muito gostaria de saber, para ter o cabal prazer
de conhecer a real identidade a quem me dirijo.


**Loureiro é uma Vila Industrial e Agro-pecuária,
de onde sou natura,l pertencente ao Concelho
de Oliveira de Azeméis, Distrito de Aveiro.



Setembro 02 2009

O Hermínio não é meu amigo.
Agosto 27 2009
Existem por aí uns “outdoors” a propagandear que o Hermínio Loureiro é meu amigo. Quero desdizer tal coisa, pois não conheço pessoalmente esse senhor, nunca falamos, nunca fomos apresentados, nem nunca almoçamos ou jantamos juntos.

Parece-me abusivo, andar a dizer que é meu amigo, quando para além de nem sequer nos conhecermos, ele e os seus amigos laranjas que estão no poder local desde que eu nasci, pouco terem feito pelo meu bem-estar. Ainda recentemente me perguntaram se era africano, só porque disse que vivia numa vila sem saneamento… Parece-me pouco amistoso ter deixado durante mais de três décadas o concelho, perder oportunidades que os concelhos à nossa volta foram aproveitando para se colocar na primeira linha do desenvolvimento.
Por isso repito, que esse senhor não é meu amigo.
Fernando Silva

Ontem o Sr. António Figueiredo escreveu um comentário ao artigo “Hermínio Loureiro não é meu amigo” que publicamos de seguida.


Ao qual eu contrapus:


"Hermínio Loureiro, um amigo".

Este conjunto vocabular, para quem compreende o sentido metafórico da frase, não contém uma afirmação, mas sim uma suposta oferta de amizade para quem a desejar, como é óbvio.
Como tal, o comentário acintosamente inserido, não tem qualquer cabimento lógico, além de fazer emergir por parte de quem o escreve, uma falta de maturidade de tal forma profunda, que nem vale a pena perder tempo a debruçar-me sobre ela.
Mas cá vai esta achega, para que a "Democracia" do PS não permita a sua publicação.

António Figueiredo e Silva
Coimbra


Não satisfeio(s) com o meu comentário, lá vem “porrada” (ah, ah, ah!...)de volta.


Loureiro não é meu amigo II

Caro Sr. António Figueiredo e Silva,
A “democracia” do PS tem gosto em publicar todas as opiniões, mesmo aquelas completamente contrárias à linha ideológica dos nossos candidatos. Porque é, justamente, no confronto de opiniões que há crescimento e amadurecimento.

Neste caso, a sua opinião carece de fundamentação científica e como tal o seu raciocínio é estéril de razoabilidade. O Sr. António alicerça o seu pensamento num erro básico de gramática, uma vez que confunde uma afirmação com uma metáfora. O slogan “Hermínio Loureiro, um amigo” é uma afirmação e não contém qualquer metáfora. Uma metáfora é uma figura de estilo que consiste no emprego da palavra, fora do seu sentido normal, ou seja, num sentido figurado. Por exemplo, se em vez de “um amigo” estivesse “papagaio eloquente”*, já teríamos uma afirmação com uma metáfora. Nesta afirmação temos uma oração com um sujeito (Hermínio Loureiro) e um predicativo do sujeito (um amigo), que não pode ser compreendido num sentido metafórico. Também não há qualquer suposta oferta de amizade, porque o verbo que se subentende é o verbo copulativo “ser”, que une o sujeito ao predicativo do sujeito. Para haver essa suposta oferta de amizade, teria que se empregar um verbo volitivo (querer, desejar, etc.) que expressasse essa vontade. Na realidade, o que está escrito é “Hermínio Loureiro é um amigo” e não “Hermínio Loureiro quer um amigo”, e daí não podemos fugir. Na análise textual temos de nos concentrar no que está escrito e não no que imaginamos que está escrito.

Deste modo, tudo o que diz sobre a opinião do Dr. Fernando Silva é lixo, uma vez que não parte da interpretação correcta do slogan mas das suas próprias emoções. A imaturidade profunda, afinal, não se enraíza no Dr. Fernando Silva, como o senhor decretou, mas na sua incapacidade linguística agravada pelo facto de se achar, orgulhosamente, dono da verdade.
Saber português não se confina ao uso de palavras invulgares e arcaicas para quase ninguém perceber. Saber português é muito mais. É aquilo que o senhor parece não saber: interpretar e comunicar.


* «O Papagaio “Eloquente” (?...)» é o título de um artigo escrito pelo Sr. António Figueiredo e publicado no Jornal “A Voz de Azeméis”, n.º 1438 de 16 de Dezembro de 2008, pág. 23.

Sérgio Cabral
publicado por psloureiro às 13:16
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Como a sua “democracia” não contempla a liberdade de expressão, - e eu já sabia - até agora não publicaram a minha resposta ao comentário, obrigando-me a ter um trabalho dos diabos para desparasitar a memória daqueles anafados “intelectuais” (metáfora) “a democracia do PS tem gosto em publicar todas as opiniões” e publicar esta trama no meu blog.


Cavaca à resposta ao meu comentário

Prezado Sr. Sérgio Cabral (& C.ª)
Ao aludir que a “democracia” do PS tem gosto em publicar todas as opiniões”, congratulo-o pela sua sensatez ao colocar a palavra democracia entre aspas, uma vez que em nenhum partido de orientação marxista “camuflada”, a prática dessas linhas são existentes; no entanto até faço por acreditar!?
Não seria de bom tom, se, antes de encetar o “verdadeiro” (metáfora) comentário, não pugnasse por um agradecimento à pessoa que urdiu a lição de português que o Sr. fez o favor ou se sentiu na feudatária sujeição de subscrever, se bem que eu já tivesse aprendido algo mais, não tendo sentido porém, alguma vez, a necessidade alguma dessa lição para equacionar as minhas ideias e desenvolver as minhas pretensas alegações.
Sabe, Caríssimo Sr., que cada pessoa tem o seu estilo de repertório, que funciona, analogicamente, claro, como uma impressão digital. Cada mioleira tem o seu cunho, a sua chancela. Pode verificar-se por isso, que a redacção da resposta ao comentário, maleitosa por sinal, não foi trabalho da sua jorna.
A essa figura “de excepcional erudição”, (metáfora) o meu muito obrigado.
Quanto à sua opinião, essa, passa-me tangencialmente, porque não é em nada comparável à de muitas doutas e nobres cabeças, que não a sua, onde essa “imaturidade profunda” deve estar acerrimamente enraizada, porque aludem exegeses bem diferentes à minha maneira de escrever, precisamente por ser confinada “ao uso de palavras invulgares e arcaicas para quase ninguém perceber”, isto é segundo a fraqueza de conhecimentos que o Sr. revela.
Neste contexto, devo dizer-lhe Caro Sr., que talvez lhe falte o discernimento, a força de vontade e a capacidade para consultar os livros onde está expressa toda a ignorância Humana: Os Dicionários. A estes preciosos livros, que para alguns não devem ter qualquer valor, como deve ser o caso do Sr. Sérgio Cabral (& C.ª), quero atribuir-lhes, toda a abrangência ao seu o seu sentido lexical.
Quando necessário também os consulto.
Como pode constatar, eu não sei tudo; logo, não sou, “dono da verdade” (silogismo) nem nunca me intitulei como tal, como o Sr. de “extrema raridade científica” (metáfora) me proclama.
O Sr., com toda a sua irreverência e da “nariz” empinado, parece-me que anda armado em furtivo gato bravo à procura de uma “lura” que lhe permita atingir algum status social que lamentavelmente não tem. Mas assim não se safa.
E agora nós, Sr. Fernando Silva.
O que está escrito no slogan é, “HERMÍNIO LOUREIRO um amigo” e não, “HERMÍNIO LOUREIRO é um amigo”, nem “HERMÍNIO LOUREIRO será um amigo”, nem tão pouco “HERMÍNIO LOUREIRO quer ser teu amigo” e muito menos “HERMÍNIO LOUREIRO é teu amigo”.
Daí, que se não é metáfora, não devia ter chamado à colação essa “amizade” imaginária, criação própria da sua idade; se é metáfora, devia ter ficado silente no seu poial a remoer o osso da dúvida, porque as metáforas têm sempre duas faces. Sabia?
Quanto à opinião que sua pessoa teceu sobre a meu parecer a ser um “lixo”, o Sr. é que irá ter paciência e continuar a chafurdar na lixeira, porque o meu lixo fará parte da sua dispensa do saber.
Bem, agora é caso para argumentar: não sei se me fiz compreender!?...
Se algo for necessário estarei à sua integral disposição.


António Figueiredo e Silva
(Desta vez, cá por estas bandas)


Nota: E agora, veja quem me lê, se existe ou não censura nas linhas do PS.
É para lamentar ou para rir?!...
Isto é que é uma DEMOCRACIA!
Dixit.






domingo, 23 de agosto de 2009

Olá Domina maris

Olá Domina maris!...


Sabe, Marias existem muitas na terra; como tal, a sua afoiteza está muito abaixo da minha “cobardia pura e simples” como estrabicamente vê na minha atitude por não permitir a publicação no blog que administro, de comentários, cujo produtor se esquiva atrás do anonimato.
Mais!... A ver pela essência do seu comentário, presumo que ainda deve ser pouco madura para se envolver nestas andanças.
Isto partindo do princípio de que Maria não seja a mesma identidade V. S.
Se não é, e deseja refrega, identifique-se convenientemente e vamos a ela.
Atentamente.


António Figueiredo e Silva
Coimbra

ENTÃO, R. S. V.?...

ENTÃO SR. S.V.?...

Estou tão impaciente de aguardar, que resolvi uma vez mais – e a última – esporar a flacidez da sua personalidade, na tentativa, quiçá infrutífera, de dela fazer brotar um rasgo de coragem. A coragem que lhe falta para se fazer reconhecer com a naturalidade de um ser comum (?) que até prova em contrário subsiste a dúvida de que o seja.
Estou ansioso por saber que personalidade se esconde por detrás da sigla S. V., cujas consoantes traduzem uma forma de pusilanimidade, genésica ou imposta por rabo trilhado ou irreflectido sectarismo.
Muito gostaria, Caro Sr. S. V., que se expusesse à luz da crítica e assumisse o deficiente conteúdo do seu comentário, que apesar de ser gratuito e enfermo nas análises apresentadas pelas razões que advoga, terá sempre direito a uma franca retribuição abertamente reconhecida com o sinete de quem lha oferecerá: EU (António Figueiredo e Silva, “de paragens distantes,” mas nado nessas bandas).
Dê asas à mente e redija o que entender, ainda que a sua maneira de ser ou a sua necessidade sejam defumadas pelo fanatismo ou pela necessidade de adulação, cujas desvirtudes só os tolos pensam que servem como moeda de troca para a aquisição de indulgências que permitirão o gozo eterno além túmulo.
Estarei sempre à sua disposição, Caro S. V., para provar-lhe quão distorcida foi a sua visão geradora de tão catastrófica análise e a sua beatificada ingratidão ao aproveitar-se da minha acintosa crónica “PROFANAÇÃO”, para criticar com subtil cinismo ou inveja, - na gíria portuguesa, dor-de-cotovelo - todo o ritual do matrimónio, para o qual alguém teve a gentileza e a consideração de o convidar. Cuspiu no prato da estimação onde lhe serviram a sopa da amizade. Bem, eu nunca coloquei fora de questão que, judas existem em todos os lados e muitas vezes comem connosco à mesma távola.
Entendeu Sr. S. V.?
Fico na expectativa de outro repertório seu, que terei imenso prazer em decifrar, pela óptima musicalidade da sua constituição frásica, da qual muito gosto, contudo, de análise tendenciosa - malandreco! – ao qual nunca me farei rogado a replicar.
Claro que tudo o que vier a dissertar e também o que preteritamente escreveu, será integralmente tornado público neste blog, contudo depois de devidamente identificado.
Mais uma vez venho lembrar-lhe: “para o anonimato, imponho a censura”.
Atentamente.


António Figueiredo e Silva
Coimbra

terça-feira, 18 de agosto de 2009

LAMENTO IDIOTA

LAMENTO IDIOTA (Tadinho!...)


“Em Loureiro desde os anos 20 do século passado é a “direita” que (quem) “manda”.
Este é o desabafo obtuso publicado in http://lavoura.blogs.sapo.pt, de contornos mendicantes e carpidores, talvez de um contestatário doente, argumentando por isso e como modelo, as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa “democracia coxa”, que a meu ver não deixa de ser verdade. É mesmo verdadinha!
Há mesmo uns anitos que o PS não lambe a caçoula das papas do poder em Loureiro!?
No entanto, esta análise não deve ser justaposta a Loureiro, porque, que eu saiba, nunca houve politiquice por parte do PSD, usando para o efeito o detergente de maldizer utilizado por alguns minúsculos representantes da oposição – que muito mal a representam.
O poder local não tem feito quaisquer distinções entre os Loureirenses, apostolem eles as ideologias que apostolarem. Sempre a todos respeitou com a mesma atenção, procurando manter uma uniformidade no tratamento, que infelizmente não tem sido apanágio do PS, fonte inesgotável de “críticas” – se assim se pode chamar – destrutivas, que em nada têm feito em abono da sua credibilidade e da sua maneira de “confeccionar” política na terra onde nasci.
É um partido que a nível local e também Nacional, desconhece em absoluto o sinónimo da palavra DEMOCRACIA, cujo significado tem procurado e em parte tem conseguido, dissimular na mente de alguns portugueses, levando-os a esquecer de que no marxismo a filosofia doutrinal deste significado nunca foi uma realidade.
Como é certo que a verdade, pela pureza da densidade dos factos que a compõem, tem tendência a vir à tona, estou convencido de que não só os Loureirenses continuarão a manter a constância do seu rumo; penso que a maioria dos portugueses, irá por certo, acabar com o “reinado” instituído por Mário Soares, cuja governação nos transformou num monturo sem préstimo nem valor, onde toda a Europa descarrega os restos merdosos da sua digestão.
Na realidade a democracia está coxa em Loureiro!... Infelizmente, é verdade!
Com uma oposição que em várias Assembleias de Junta de Freguesia, continuamente nada mais tem feito do que alabantar questiúnculas, cuja consistência é de baixo valor para o desenvolvimento da referida freguesia, que mais se poderia esperar?
Por muita boa vontade que o poder Autárquico tenha, em discutir problemas a sério, não é possível pela extraordinária incompatibilidade demonstrada pela “oposição”, fruto de uma circunspecção política muito resumida.
Estão muito mais preocupados em denegrir o nome das individualidades que lutam pelos interesses de Loureiro contra todas as adversidades económicas, politicas e sociais, não entendendo que com esta e outras posturas, estão a danificar todas as pessoas da terra. Logo, isso não é oposição! É sim, uma imposição descabida, com a qual os Loureirenses não se devem preocupar, nem tão pouco compactuar.
Tem havido SEMPRE da parte do poder local, abertura para qualquer diálogo concernente há exposição de ideias válidas - não fétidas idiotices - e franca participação em eventos, sejam eles de objectivo político ou social, não subsistindo por isso razões para que reles e imbecis paparazzi de meia-tigela, com a cotação francamente chamuscada, se escondam por detrás das moitas ou sob a penumbra da iluminação nocturna onde a claridade chega já cansada, munidos de máquina fotográfica e, como ratos de esgoto, em pose de miseráveis espiões - lembrando o tempo da guerra fria entre a URSS e os Ameríndios – para captarem meia dúzia de fotografias, que obtidas às claras ninguém lhe colocaria qualquer entravo, na mira de posteriormente dactilografarem uns textos mal ajaezados mas corajosamente identificados, ou umas piadas amorfas e sem sal nem conteúdo, que diarreiam para um blog na internet, arrematados com uma maturidade acriançada e subscritos sob o covarde tugúrio do desconhecido, mas que não servem para construir nada, nem para desobstruir seja o que for.
Que estes Srs. se desforrem através de paupérrima argumentação contra os membros do poder local, em Loureiro, eu até faço um esforço para aceitar!
Mas acho que foi uma brincadeira de alienado mau gosto, o que li in http://lavoura.blogs.sapo.pt, após os festejos de elevação de Loureiro a Vila, no passado mês de Junho “Perante isto, percebemos bem que o povo continua a querer "pão e circo". O resto é esquecido ao sabor de um tinto maduro ou de um bife de borla” (SIC).
São episódios deste género, subjacentes a outros, que realmente testificam que em Loureiro, a democracia está mesmo coxa, porque só existe de um lado: do lado PSD.
Estes acontecimentos não me causam pasmo porque sei que no meio daqueles que por amor à sua terra se prontificam a representá-la por pura carolice, outros há que rastejam com gana para um poiso, uma gaiola ou um tacho, onde possam com toda a ostentação e falta de humildade, assentar o seu asqueroso despotismo para mitigar a endémica ambição de poder.
Por analogia, a oposição em Loureiro faz-me lembrar um moleiro que não sabe levar a água ao seu moinho.
Por isso acho preferível que arrumem os burros, as mulas, as albardas e os restantes apetrechos destinados à “moagem” das brênças da sua “política” e enveredem por outra “profissão” ou mudem de freguesia – alguns dos refilões já mudaram – porque, a procederem da forma como têm feito, nessa certamente que não se safarão.
Pessoalmente estou fartinho deles!... Não porque não tenham direito existir, mas porque não sabem coexistir, a ver pelo seu adulterado rigor comportamental que em nada os beneficia e nada ajuda a construir, sendo, como tal, uns fracos remendos para Loureiro.
E os Loureirenses sabem disso!
Em tempos idos, argumentou Cavaco Silva, (actual Presidente da República Portuguesa) “deixem-nos trabalhar”!... “Mordendo” ironicamente esta frase, eu diria: “deixai-os brincar”! (?)
Quem não gostar desta, que não coma, mas…
Sempre há cada forma de planger mais idiota!?


António Figueiredo e Silva
Chaves

Blog: www.antoniofigueiredo.pt.vu

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

CARO SR. ÉSSE VÊ (anónimo)


Naturalmente que muitos leitores dos meus comentários, em face do título deste, se irão interrogar sobre o meu duvidoso estado de sanidade mental. Contudo, posso afirmar-lhes que ainda mantenho em razoáveis condições de lucidez as minhas faculdades mentais.
Felizmente quando abro os olhos há sempre algo que eles podem enxergar, prova evidente de que a minha presença não é uma falácia. Apenas existem três situações em que realmente eles não descortinam nada; na escuridão absoluta, se o céu-da-boca arrefecer ou no”buraco negro” do anonimato.
As primeiras são condições normais, enquanto que a última, por natureza é anormal, isto é, se condições exógenas não houverem, que por força das circunstâncias obriguem à sua normalidade, ainda que paradoxal.
Primo pela minha identidade, sejam quais forem as circunstâncias; defendo e assumo a responsabilidade do que argumento, com frontalidade e perante factos. Tive um pai e uma mãe, dos quais me orgulho, - apesar de já morarem na eternidade - nada me obrigando por isso, em momento algum da minha vida a recorrer ao anonimato, penitência que a muitos persegue ao longo de toda a sua existência. Como tal e sem rodeios, sou e serei, António Figueiredo e Silva, até bater a caçolêta.
Sou aquele que tem a mania de, para além de inserir as suas escrituras em diversos periódicos, colocá-las também na internet, porque sabe realmente que não é a única ave rara neste mundo a fazê-lo e não ignora também que tem bastantes seguidores, entre os quais, críticos do contra e a favor das suas ideias, com a ajuda dos quais cliva a sua maneira de pensar e expor para o papel as suas “baboseiras”.
Não é porém com opiniões impessoais, seja qual for o seu cariz, que perco o meu tempo a vasculhar no fanatismo ou na teimosia, os floretes para a defesa dos meus pontos de vista.
Sempre procurei ser frontal e assumir a responsabilidade pelos meus actos. É precisamente esta frontalidade que eu exijo, de quem me condena ou defende. Gosto de saber com quem dialogo.
Por isso, a todos os ÉSSES VÊS (anónimos) presentes e futuros, ou dão a cara ou não verão os seus comentários publicados neste blog nem as respectivas respostas aos mesmos.
Para a incognicidade imponho censura absoluta..


António Figueiredo e Silva
Chaves

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O DR JOÃO SEMANA DO SECULO XXI

O “DR. JOÃO SEMANA” DO SÉCULO XXI


Pode parecer absurdo, porque a figura sobre a qual aqui vou versar, está absolutamente fora do meu conhecimento pessoal e não tem nada a ver com o personagem descrito por Júlio Dinis no imortalizado romance, “A Morgadinha dos Canaviais”.
O que aqui procuro narrar foi-me transmitido por pessoas fidedignas, e que eu, por conotação figurativa, associo ao Dr. João Semana.
Quando procurei saber ao certo quem era este “Dr. João Semana”, fiquei tão admirado com o historial de bem-fazer, que mesmo sem o conhecer, resolvi prestar-lhe a minha simples mas sincera homenagem, da qual entendo ser merecedor.
Certamente que no mundo não será figura única, – ainda bem – porém, eu tive conhecimento desta e das suas proezas em prol do bem-estar social, através de pessoas que a ele recorreram e continuam a recorrer, quando o medo do além lhes bate à porta e traz no seu ôdre uma maleita real ou suposta, das quais eles não entendem ou desconfiam.
Existe em Trás-os-Montes, no concelho de Chaves, uma terrinha, por sinal muito patusca e que eu bem conheço, chamada Bragado, cujo acesso pode ser feito através da A24. É uma aldeia muito antiga e com história, que aqui não vai ser contada, uma vez que não é esse o meu objectivo, podendo porém avançar que lá existe óptima franqueza e bom presunto.
De quinze em quinze dias, desloca-se àquela aldeia um médico, que por sinal é de Amarante. Contudo, é do Bragado a Sra. que se lhe atravessou no caminho como a paixão da sua vida, cujo amor entre ambos veio a ser chancelado pelo sacramento do Matrimónio.
É precisamente naquela terrinha que possui uma casa de campo para o tempo que devia ser de lazer, após diariamente passar longas horas de pé manobrando o bisturi, muitas vezes sem tempo certo para mitigar a fome; porque esta figura, este Homem, é cirurgião. Esta é a razão porque digo devia ser de lazer, sabendo eu de antemão que não o é e por uma simples razão: o médico a quem me refiro, quando ali vem, presta os seus serviços a todas as pessoas que dele necessitam, sem cobrar um tostão – ainda não reconheço o cêntimo como moeda Nacional.
Com relativa antecedência, ele anuncia ao Presidente da Junta de Freguesia a sua vinda, e este, em estrita colaboração e boa vontade, empenha-se também em “improvisar” o gabinete para as consultas, na sede da Junta de Freguesia.
Certamente, que quem já ouviu falar no Dr. João Semana, não vai pensar que ele também usa uma mula branca, mas…
Não, este médico não utiliza qualquer meio de transporte de espécie asinina, porque a tecnologia actualmente é outra e a sociedade em que vivemos também mudou.
Dizem ser uma pessoa afável e humana, de uma complacência fora do normal. Aliás não poderia ser outra coisa, em abono da filantropia e nobreza do seu gesto altruísta, virtudes que a mim abanam a alma por haver alguém com bondade despretensiosa neste universo canino onde todos coabitamos à dentada, num fosso de ganância para ver quem fica com o maior bocado.
Pessoas com a dignidade e a despretensão deste distinto médico, claro que existem, mas são tão fáceis de encontrar como uma agulha num palheiro.
Eu, sem o conhecer, quero homenageá-lo pela simplicidade da sua maneira de ser e pela forma como encara as necessidades do ser humano.
Bem-haja pelo seu exemplo!... Sr. Dr. José Pedro Oliveira
Espero que a sua notável figura seja um exemplo para todos os verdadeiros seguidores da filosofia do juramento hipocrático, obviamente excluindo todos aqueles que fizeram o juramento com boca mas sem o “coração” e se deixaram minar pela ganância desmedida que se encarregou de os metamorfosear em desastrosos e rudes “veterinários”, verdadeiros escravos cegamente fiéis ao serviço do materialismo.



António Figueiredo e Silva
Coimbra

Blog: www.antoniofigueiredo.pt.vu

quinta-feira, 23 de julho de 2009

PROFANAÇÃO

PROFANAÇÃO


Em qualquer parte do mundo, o local de culto é sempre um lugar sagrado, independentemente da religião a que pertença, ou à crença, ainda que pagânica, de que faça parte.
E todo aquele que assume por vontade própria a responsabilidade de representar determinado papel, religioso, político, jurídico ou outro qualquer, tem de encarnar o personagem que assumiu como fazendo parte integrante de si próprio; quando não, não é um bom executor do seu papel, seja ele qual for. Não é um bom chefe, um bom líder, um bom pai, um bom sacerdote e por aí fora.
Vem esta ladainha a propósito de um casamento, que foi celebrado no dia 11 de Julho de 2009, numa Igreja que abaixo mencionarei, de cujo evento eu fazia parte, a título convidativo.
O cerimonial do Sacramento do Matrimónio foi celebrado por um padre missionário, vindo do Couto de Cucujães, - que pela serenidade e suavidade das palavras que proferiu, podia adivinhar-se ser uma pessoa condescendente e de boa natureza - e acompanhado por um coral, diga-se, de invejável, celestial e seráfica melodia, que conseguiu aproveitar na totalidade a bem arquitectada acústica do Templo. Como todos os outros, fiquei assombrado!!! As minhas congratulações a todo o grupo por isso.
Contudo, nesta efeméride aconteceram situações que, não só a meu ver, é verdade, são passíveis de crítica; porque por vezes o ser humano na sua inconsciência, não sabe ou não tem por vezes presente, a noção que lhe permite distinguir muito bem o Sagrado do Profano.
Após a realização de quase todo o ritual matrimonial, surgiu abrutamente - abruptamente, queria dizer - de um canto da Igreja, um Sr., envergando uma camisa de manga curta, transportando na mão uns papéis, que depois vim a constatar serem documentos, episódio este, que me levou a pensar ser ele um funcionário da Conservatória do Registo Civil. Dirigiu-se para o Altar, pousou-os sobre a Ara e fez um gesto de convocação aos nubentes para se aproximarem e procederem à manuscrição das suas assinaturas, não sem antes ter feito um meneio com acentuada rudeza, no sentido de “correr” com os fotógrafos e retirar-lhes a possibilidade de um melhor ângulo para captarem as filmagens das subscrições.
Mais tarde vim a saber que este “distinto” Sr., era o padre daquela paróquia, e, ao que parece, pela sua maneira de ser cassiquista, não goza de muita popularidade por aquelas bandas, facto que a mim, pouco ou nada me interessa
Ora, este “Reverendíssimo” Sr., utilizou a Ara do altar, como se fosse um simplíssimo balcão de atendimento de uma repartição pública, uma mesa reles de um antigo tabelião ou um simples pedregulho destituído de qualquer valor.
Isto não deve acontecer, porque o altar constitui o ponto fundamental, o epicentro de uma religião, neste caso a Católica, onde se realiza com devoção, o Mistério da Eucaristia. É o ponto místico mais profundo da união do homem com Deus.
Vá lá que não lhe passou pela moleirinha, que o tempo era de calmaria, abrir uma cervejita e a por “lapso” deixar a garrafa e a carica em cima do altar.
Pela minha apreciação, e não só, houve uma profanação do Sagrado, que são coisas distintas e diametralmente opostas. Houve uma inculta falta de postura num lugar onde isto não deve acontecer.
O “Reverendíssimo Sacerdote” que por certo não será merecedor destes títulos, mais me pareceu um machambeiro (lavrador rude em língua Landi) do que um ministro, um representante de Deus na terra.
Pela maneira como entrou, cheio de prosápia e com fisionomia de auto-valorização, em verdade, em verdade vos digo, que ainda me fez crer que devia ser ele o senhorio da Igreja e que vinha, um pouco belicoso, receber a renda do mês transacto referente ao aluguer do Templo, porém já em considerável atraso.
Bem, por acaso não foi nada disso; enganei-me!?... Que Deus lhe perdoe.
Contudo, apraz-me perguntar: para que serve um aposento anexo em todas as igrejas, chamado sacristia?
Se no entender do “Reverendo” àquele aposento não lhe é dado o uso que lhe é devido, melhor será fazer dele um poiso, um domicílio, para o animal que é considerado como o símbolo da paz; a pomba.


António Figueiredo e Silva
Coimbra

*Esta teatral cena, passou-se na Igreja Nova
de Pindelo, no concelho de Oliveira de Azeméis.

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quarta-feira, 15 de julho de 2009

SERMÃO AOS PEIXINHOS

“SERMÃO AOS PEIXINHOS”


À semelhança de Santo António, figura pela qual venero grande admiração e profunda fé, vou fazer, não um “sermão aos peixinhos”, porém uma prédica às rãs do rio Tâmega, que como todas as demais, merecem toda a minha consideração e estima.
Batráquios:
Estou aqui, no púlpito deste papel, para vos dirigir minhas palavras, porque sei que a vossa inteligência supera a ignorância Humana! Porque sois inofensivas e condescendentes, quer material quer espiritualmente, a malícia, a maledicência e a ignorância, condimentos que nos humanos por vezes conduzem a interpretações erradas, não têm lugar no vosso ser, que, apesar de parecer franzino, se os Humanos conseguissem dar saltos como vós dais, evidenciado a proporção da massa corporal, nunca, mas nunca, o nosso Mundo estaria na desagregação em que se encontra, onde ninguém se compreende nem tenta fazer o mínimo esforço um para isso.
Tenho a certeza queridas rãs, de que ao ouvirdes a minha dissertação sobre o estado de ignorância que paira neste mundo, ireis certamente saltar para a borda dos charcos e lagos, vosso habitat natural, e, quando a lotação estiver esgotada, o resto dos ouvintes pelo menos boiará à superfície das águas com as cabeças de fora, para em uníssono, coaxando por noites indefinidas, aplaudirem o significado do meu efusivo sermão.
Eu sei, que pelo menos vós sabeis ler nas entrelinhas. Sabeis distinguir um insulto de uma ironia, e, sem complexos, sabeis distinguir uma falta de educação de uma inofensiva sátira, onde por vezes a mordacidade tem um papel construtivo.
Olhem: ficais agora a saber, que o Homo Sapiens, através da sua evolução inversa, a que ele chama progresso, se transformou no Homo Burrus, cujos recalcamentos e nefastas pulsões a ele se afloram, quando erradamente por falta cultura, moléstia que lhe atrofia o discernimento, cogita que foi atingido pelo relâmpago do criticismo rasca e o chama a si, por reconhecimento próprio e indubitável da sua ignorância latente, numa infundada censura que por vezes não lhe diz respeito.
Amigos batráquios!... Com a idade que tenho, já nada me causa admiração neste mundo canino, onde todos se procuram morder uns aos outros, até mesmo aqueles a quem o trinca-palha desapareceu, que não trincam mas mascam e pisam.
Queridas arrãs!... Sinto o meu espírito explodir de alegria, por ver que num silêncio absoluto à diáfana luz da aurora, vós em absoluto silêncio me escutastes e compreendestes a profundidade e a acutilância das minhas palavras. Foi bom!
Ide!... Tomai o vosso natural caminho. Agora podeis coaxar à vontade em eufórica manifestação de apreço a este meu sermão, porque ele é de compreensão tão sublime que só vós o entendestes, enquanto o Homo Burrus, na sua dolência, continua a trincar os seus cascos digitais, matutando no vazio, parasita que minou e ocupou o lugar da sua compreensão.



António Figueiredo e Silva

Coimbra

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quarta-feira, 8 de julho de 2009

ACABEM COM O CAGAÇAL!...

ACABEM COM O CAGAÇAL!...*


Sugiro à ASE, (Associação de Solidariedade Estarrejense) que pelo menos em época estival, envide esforços com vista a proporcionar noites calmas, isentas do barulho natural consequente de alguma animalada sem quaisquer princípios éticos, que a Natureza concebeu para azucrinar os labirintos auditivos do ser humano, quando estes, bem limpos de cerume lhe permitem umas noites de merecido descanso.
Decretem-se normas para os cães deixarem de ladrar ou uivar na calada da noite, permitindo que lhes seja enfiado um batoque na boca, porque não se consegue cochilar em conciliação absoluta com o nosso ego.
Afiem-se as naifas e degolem-se os galos para uma boa arrozada, porque eles também poluem o silêncio das noites com o seu repenicado e irritante cantar, numa abusiva provocação ao silêncio de quem descansa.
Afoguem-se os grilos, as cigarras e os ralos, que aborrecem quem oniricamente repousa, enquanto eles, de contentes, esfregam as asas nas noites de calmaria estival para obterem uma lufada de ar fresco, seu método de ar condicionado natural e anti-poluente.
Calem o renitente, chato e refilão piar do mocho, porque o seu pio agoirento irrita quem está navegando na bonança dos braços de Orfeu.
Liquidem a coruja. Essa noctívaga visitante dos campanários, das casas velhas, moinhos e cabanais, cujos “bufos” fazem levantar os pêlos da pele que, lembrando almas penadas vindas do outro mundo, como se elas fizessem mal a alguém, não deixa dormir em paz quem os ouve.
Castiguem os mosquitos e as melgas que para além de picarem, atormentam-nos com o seu irritante zumbido, obrigando-nos a manter em vigília para lhe darmos cabo do canastro à travesseirada.
Silenciem as rãs e cortem-lhes as pernas – fritas são muito boas – para não mais botarem a cabeça fora da água, porque o seu coaxar, principalmente nas cálidas noites de Verão e em épocas de cio quando as feromonas invadem o ar, não permite a ninguém sonhar sossegadamente, para que elas, numa orgia sem qualquer pudor, passem toda a noite no triqui-triqui.
Requesto à ASE que arranje forma de acabar de uma vez por todas com a Arca de Noé, para ficarmos a habitar num mundo cinzento, sem graça alguma e onde também não iremos conseguir adormecer na paz dos deuses, graças às sirenes da polícia, dos bombeiros e das ambulâncias, por vezes abusivamente accionadas sem razão para isso, ao ensurdecedor e prejudicial barulho dos escapes livres de algumas motas e motorizadas ou de carros velhos a um mês de irem à inspecção etc.
Contudo, mesmo que a ASE conseguisse dar cabo de toda essa cacofonia e sucatada, estou convencido de que haveria muito “boa” gente que não conseguiria ressonar em condições devido ao barulho causado pelo cavernoso ribombar do peso na consciência ou do fininho zumbido nos ouvidos, maleitas que a medicina ainda hoje não consegue debelar.
Para estes incómodos e outros similares, em psicologia existe o termo PSICOADAPTAÇÃO, que consiste em adaptarmos o mundo que somos ao mundo em que vivemos. De outra forma nunca conseguiremos viver em paz nem dormir bem de noite e corremos o risco de passarmos o dia a dormir na forma.
Pensando melhor: a ASE que não acabe com as rãs, porque ficarão as larvas das libelinhas sem girinos, factor vitamínico e proteico, primordial da sua alimentação, além de acabar também toda aquela musicalidade natural e tão bonita, própria das noites quentes de Verão.
Não acabem com o cagaçal.



António Figueiredo e Silva
Coimbra

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*Vem esta “alienada” crónica a propósito de um lamento,
justificável, é verdade, de uma habitante do Bairro da
Teixeugueira, inserida no “Jornal de Estarreja” em 03/07/2009,
sob o título “As rãs da Teixeugueira”.
Deu-me piada pela hilariante descrição e eu aderi ao arraial.

sábado, 4 de julho de 2009

O CANTO DA SEREIA

O CANTO DA SEREIA
(Carta aberta ao nosso Primeiro-ministro)


Exmo. Sr. Primeiro-ministro.


Não adianta dictar discursos inflamados de realidade forçada, porque dificilmente a causticante crise que grassa neste país que o Sr. mais o seu elenco, tão bem têm governado, fugirá tão cedo do lugar onde se encontra grudada.
Eu sei que uma miragem é capaz de fazer uma criatura atravessar um deserto, isto é, se o camelo não for estúpido ou morrer pelo caminho; aí nada feito.
Sabe, Sr. Primeiro-ministro, que os portugueses tiveram uma ilusão durante trinta anos, por serem lerdos da mona, e somente agora se estão a aperceber da esfarrapada realidade que os cerca, apurando com grande apreensão quão grande é a imensidão do deserto a transpor.
Certamente que não desconhecem que apesar da crise ser globalizada, como V. Exa. argumenta, ela aqui está bastante fermentada e enraizada para uma longa duração, se esta chegar a finar. Decididamente que não tenho quaisquer dúvidas em afirmar que ela irá ter fim; o que não posso prever é qual será!? Primeiro porque somos pobres de solo e segundo porque temos sido estéreis de cabeça. Ah!... Temos uma riqueza que me ia escapulindo da lembrança: presunção. Essa moléstia degradante que sempre nos tem perseguido através dos tempos e faz de nós aquilo que hoje somos. Não é mau, pois não?...
O Sr. Primeiro-ministro sabe que vêm aí as próximas eleições Autárquicas e Legislativas, aliás, para as quais encetou hábil e atempadamente, fogosos discursos propagandísticos, martelando as palavras na cabeça dos portugueses, - naqueles que a têm mais empedrada - com gestos que me transportam à memória Benito Mossulini. Como é evidente, não sei qual será o desfecho dessa renhida contenda; contudo, e apesar do meu raciocínio poder vir a ser tido como impróprio para consumo, a crise irá persistir por longo período no seu lúgubre infortúnio, dê para onde der!... Quando só há para os graúdos não se deve fazer promessas aos miúdos. É que enquanto os pançudos são muitos, os miúdos são mais do que as mães e juntos são capazes de fazer um chinfrim dos diabos, capaz de fazer tremer a estabilidade dos graúdos!
Satirizando a verdade, repare agora V. Exa. na situação organizativa da capoeira concernente ao hemiciclo Parlamentar: muito senhor de si, como se fosse um colossal economista, encarrapitado no galho mais alto do poleiro, um galo canta áreas que não são do posto da sua “formatura”, calorosamente ovacionado por umas largas dezenas de galispos que à sua volta leviana e sagazmente se vão picando entre si e ao mesmo tempo bicando as suas rações e as que outros menos afortunados haveriam de papar, numa bem urdida panelinha com robusta coesão tutelar. Todo este aparato, para, como se costuma dizer, tapar o sol com uma peneira, num ensaio de manter o eleitorado na penumbra da ignorância, onde a passividade controla a resignação.
Uma grande maioria do votantes tem a noção de que o Sr. Primeiro-ministro se tem empenhado num ciclópico esforço para moderar a sua teimosia proselitista por uma “condescendente” quietude figurada, traída esta última, pela expressão fisionómica que aduz, a meu ver situada em posição antagónica da razão que fogosamente aspira induzir.
Estou plenamente convencido, Sr. Primeiro-ministro, que nem com todas as “rasteiras” vocabulares arquitectadas pelos mais “exímios ideólogos” da facção que milita e protege, ou tecnicamente engendradas (por isso é que V. Exa. é “engenheiro”) no mais puro aço da intelectualidade que a cabeça de V. Exa. confina, os portugueses irão embarcar no barco de papel pardacento que tem vindo a ser construído no estaleiro naval da política, durante estes últimos quatro anos, dirigido sob sua gesticulante batuta.
Sr. Primeiro-ministro!... Como pode isto estar bem, se empresas continuam a encerrar, o desemprego não pára a sua escalada, o descontentamento generaliza-se e o senso comum está a diluir-se nas águas inquinadas do desespero?...
O trabalho, antes considerado uma necessidade, é hoje mais do que isso:
Ter emprego é um luxo.
Fazer ouvidos moucos ao canto da sereia é um benefício.
Atenciosamente.

António Figueiredo e Silva
\
Coimbra
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quarta-feira, 17 de junho de 2009

HUMILDADE

HUMILDADE?!...

Eu tive a oportunidade de ver e ouvir esta locução de uma “brandura” sem precedentes, cautelosa e “humilde”, ser pronunciada por José Sócrates Pinto de Sousa, nosso Primeiro-ministro, na presença das câmaras da TV. Perante tal facto, não poderei negar a transfiguração ainda que momentânea, de tão ilustre figura da nação, mas…
Bem!...
Só me sentirei amortalhado pelo manto translúcido do refrigério, quando os portugueses tiverem demonstrado integralmente a José Sócrates, que a humildade que proferiu, nele nunca se domiciliou.
O viveiro de pesporrência, teimosia, agressividade e despotismo, que até agora tem lavourado, está a iniciar a sua germinação e os frutos que desta hão-de dimanar, colhê-los-á, como qualquer camponês, pelo S. Miguel.
Estou esperançado de que irá ser um “bom S. Miguel” para ele e para todos nós, se com seu usual e gesticulante compasso napolitano, acompanhado do ribombar de trovoadas discursais, ensopadas em sonho e ébrias de promessas, não vierem “danificar” a colheita.
Porque só agora ocorreu à sua genética obra de engenharia encefálica a palavra humildade, se jamais (histórico vocábulo) o nosso Primeiro-ministro evidenciou tal virtude?
Às tantas foi porque o povo apertou os baraços das duras chancas (sapatos de marca aliás) e o padecimento lancinante invadiu as calcificações dos joanetes da sua política, não foi!?...
Por certo, pelo menos espero, já deve ser um bocadito tarde para reflectir.
As eleições legislativas aproximam-se a todo o galope e talvez seja escasso o tempo para proceder a uma rigorosa varredura do pretérito com a esponja de apócrifa humildade e proceder à renovada e colectiva ablução cerebral a todos os portugueses.
O cidadão José Sócrates, tanta martelada deu nas bigornas auditivas do povo lusíada, que estas emperraram, perderam a sensibilidade e pariram um flagelo de cofose generalizada.
Se entretanto até lá, por senilidade prematura ou porque o discernimento abandonou o intelecto colectivo e os meus compatriotas se curarem deste achaque, penso que podemos indubitavelmente contar como reconhecimento, com quatro anos de retaliação, decorrente de possíveis e massivas transformações nos cordelinhos da política, economia e finanças, justiça, segurança, saúde e ensino.
Mas já quase já ninguém ouve! E para os mais afortunados que mantêm algum lampejo desse precioso sentido, quando o som chega aos tímpanos, riem!
Aí sim podemos ter a certeza de que iremos ver, não o que é a humildade mas sim o seu reverso. Depois…
(…) é agora olhar com humildade para aquilo que não correu bem (…).


António Figueiredo e Silva
Coimbra

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terça-feira, 16 de junho de 2009

AS PIRANHAS

AS PIRANHAS


Se observarmos com atenção, alguns políticos, provavelmente a maioria, são muito parecidos com as piranhas; quando lhes aparece o isco, num frenético e incontrolável redemoinho de águas turvas, atiram-se a ele com unhas e dentes a ver quem come o maior quinhão.
Desta vez o isco foi as eleições para Deputados à União Europeia, que realmente se me afigurou ser um isco de boa qualidade, pelo que, mesmo em turbulência, valeu a pena lutar.
Atropelaram-se uns aos outros e presentearam-se mutuamente com palavras ou metáforas depreciativas. Poluíram as ruas com a sua enxameada presença, uns mais do que outros, ora atropelando ora interpelando quem passava abstraído da confusão ou quem trabalhava para ganhar o seu pão, não sem ter que descontar algum que virá a ser distribuído por aqueles zumbidores.
De facto até verbalizaram algo que se podia aproveitar, evidentemente, com alguma cautela. Uns apenas arranhavam meia dúzia de vocábulos sem nexo, muitos deles já desgastados pelo seu uso, que de tamanha persistência se tornavam fastidiosos.
Deram sacos, camisolas, esferográficas, cuspiram gafanhotos com fios de baba à mistura, mas nenhum se lembrou ainda de distribuir preservativos, para os portugueses poderem fazer a cópula sem ficarem copulados, como tem vindo a suceder. E porque não fazê-lo, se toda aquela festança foi de cariz carnavalesco, com foguetes à mistura e tudo?
Num arraial destes alguns tiveram o condão de se sobressaírem mais do que outros; ou pela sua lábia na retórica, ou pelo seu pragmatismo contundente mas fingido, ou ainda da pior maneira que à laia de um papagaio de papel preso por uma guita se deixa levar ao sabor do vento, sem vontade própria. Tudo isto foram episódios que puderam presenciar todos os que a esse trabalho se deram.
O delicadinho do cidadão Vital Moreira parecia mais uma marioneta do que um concorrente a Deputado à União Europeia.
Lá ia, tadinho, nervoso e obsequioso, em segundo plano, levado pela mão do seu tutor, exibindo sempre um fingido sorriso, como um verdadeiro yes man*.
Em minha opinião, Vital Moreira foi o capacho onde José Sócrates firmou os pés para fazer campanha a si próprio e a ele arrastando-o na sua auto-propaganda e oferecendo-lhe um rebuçado do Dr. Bayard, ao apresentá-lo como:
Este é o meu delfim!... Mas a figura de proeminência sou eu!? Afiguração que não resultou.
Claro que os portugueses são bastante passivos, mas também se embucham da prosa repetitiva e da falácia rotineira, cujos resultados ficaram claramente evidenciados. Apesar disso estou convicto de que a lição não acabou por ali!?
Contudo, se esse sinal (resultados da votação) não passou de uma fútil ameaça, os portugueses granjearam o “mérito” de virem a ficar numa posição muito mais abaixo daquela em que actualmente se encontram.
Assim, se tal vier a acontecer, para meu mal e de muitos, o engodo mais uma vez resultou, prova manifesta de que os portugueses sofrem indubitavelmente de uma maleita chamada masoquismo, que se resume no prazer resultante do sofrimento, um dos sintomas indicativos de oligofrenia.


António Figueiredo e Silva
Coimbra

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*Pessoa que a tudo diz amen,
em todas as circunstâncias.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

DESASTRE AÉREO

O DESASTRE AÉREO

(Este parecer refere-se ao acidente do avião AIRBUS A 330 da AIR FRANCE)


Naturalmente que não é minha pretensão fazer aqui qualquer afirmação sobre o que motivou o acidente onde pereceram 228 pessoas. Porém, reunindo algumas das notícias que têm sido veiculadas através dos órgãos de comunicação e adindo os meus parcos conhecimentos de aeronáutica através dos cursos que me foram ministrados, - por lá passei uns bons anitos - julgo ter fundamentos para emitir uma opinião sobre tão catastrófica ocorrência.
É evidente que as provas com mais certezas só poderão ser dadas pelos investigadores depois de serem encontradas as Caixas Negras.
Este nome, para quem não saiba, não obedece a uma tradução literal mas idiomática, que quer dizer “Caixas do Segredo ou Mistério”, por conterem as gravações dos últimos trinta minutos de voo, que constituem, até serem encontradas, as fontes concretas dos motivos provocadores dos acidentes. Estas “caixas”, são tecnologicamente concebidas para resistirem a altíssimas temperaturas, ao choque violento e à oxidação provocada por qualquer produto corrosivo. Elas gravam toda a conversação da tripulação da aeronave e os pontos de controlo em terra, os parâmetros dos reactores, como temperaturas, pressões, fornecimentos de energia eléctrica etc; gravam pressão barométrica exterior, pressão de cabine, velocidade da aeronave em relação ar, sua direcção, a sua altitude e muitas outras coisas que se tivesse que as descrever não chegariam uma dúzia de páginas iguais a esta.
Em aeronáutica sempre me ensinaram que as piores nuvens que pairam na atmosfera são as chamadas cumulonimbos, sendo destas que provém o granizo ou saraiva. São núvens em grande agitação no seu interior, com rajadas violentas, trovoadas, chuvas torrenciais e cristais de gelo, que lhes impõe uma densidade fora do normal, subsistindo deste facto a afirmação de que avião que entrasse num cumulonimbo tinha grandes possibilidades de sair aos bocados; tal não é apocalíptica convulsão no seu interior. Estas nuvens chegam a atingir aproximadamente 10km de altura, a partir da sua base isto é, pode elevar-se até a tropopausa que se inicia a 15km da altura, tendo como referência a superfície da terra e por norma têm a forma de uma bigorna.
As aeronaves comerciais pressurizadas voam normalmente entre os 30.000 a 35.000 pés de altitude (que não é a mesma coisa que altura), o que representa em metros 9.000 a 10.500.
Quer isto dizer que um cumulonimbo de grande envergadura pode atingir uma altitude igual ou superior à do vôo de um avião comercial e este se o atravessar, certamente que estará condenado à desintegração total.
O impacto de uma aeronave que em voo de cruzeiro rasga o céu a uma velocidade de 900 km a 950km por hora, ao entrar num cumulonimbo cuja densidade e turbulência são de enorme grandeza, sofre um violento e repentino impacto em que a única “travagem” é a dissipação da energia cinética da massa voadora, com a criação de vibrações, passando à ressonância, seguida de cargas de ruptura criadas pelos cristais de gelo, culminando no seu total desmembramento. Por analogia, é como se o avião abruptamente fosse atingido pelo tiro de uma grande caçadeira com zagalotes.
Não afirmo que foi isto que aconteceu, porque as aeronaves possuem radares concebidos para a detecção dessas nuvens, contudo, por vezes o ser humano deixa der ver a realidade. Não quero nem devo com isto, culpabilizar seja quem for. Isto não passa de uma mera conjectura. Oxalá que as Black Box apareçam. Elas falarão por mim.
No entanto, como na zona onde se presume ter dado o acidente, existe uma confluência, um choque, de pressões e temperaturas diferentes - segundo dizem os especialistas em meteorologia, evidenciando esta hipótese, com base na vista por satélite - a existência de cumulonimbos, pela mancha de óleo que apresenta uma distância de cerca de 20km e pela distribuição de alguns destroços que concluíram não ser por destruição em radial, pode ter sido mesmo o impacto com a alta densidade destas nuvens e a sua convulsão eléctrica aproximada de 1.000.000 de voltes, que tenham causado o brusco desmembramento da aeronave.
Se tivesse havido uma explosão a bordo provocada por algum engenho, o avião ter-se-ia partido, pela zona da explosão e o tamanho dos seus destroços certamente que seriam de maior dimensão e não estariam tão fragmentados como parecem estar, por uma longa área com sentido rectilíneo.
Por estas razões e a meu ver, a causa mais provável do acidente foi provocada por um cumulonimbo.
Para quem se dedicou ou dedica a fundo, a aeronáutica foi e é uma grande escola que encerra grandes “cumulonimbos” de intensos e vastos conhecimentos.
Esta é a minha opinião.

António Figueiredo e Silva

Coimbra

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quarta-feira, 3 de junho de 2009

A CORJA


A CORJA


Afinal, Vale e Azevedo é um herói!!!
Aquela brilhante mona desprovida de seborreia e piloris, sabe muito! No meio de tanta cambada semelhante, ele é um genuíno Ali Baba. Invejo-lhe a argúcia e a afoiteza, ferramentas com que “granjeou” a sua “paupérrima” fortuna que lhe permite viver faustosamente, contornando os pensamentos e objectivos economicistas das mais “sérias”, eficientes” e magnânimas (?) mentes, algumas delas agora colocadas em causa.
Deixaram-no zarpar para a ínsula dos camones, de onde se arroga a gozar a passividade da investigação e da justiça portuguesas. Gracejando ainda com sarcástica descontracção em tom de desafio, argumenta: “venham cá buscar-me”!...

Os órgãos de informação apresenta-nos também o caso Freeport que de tão confuso que está e com as qualidades da canzoada metida pelo meio, mais tarde ou mais cedo acaba por ser silenciado e ponto final. Os portugueses são pessoas de boa fé e acabam por esquecer o passado muito rapidamente.

Assomou-se também às seteiras da falcatrua o BPP, que como se pôde reconhecer, pôs na “miséria” muitos gatos selvagens da floresta financeira, incluindo o lavador de terras auríferas Joe Berardo. Deste, coitado, sinto profunda comiseração.
Como sou puritano e moralista, até estou a pensar seriamente em fazer-lhe uma proposta, que pela sua soberbice, é bastante aliciante; permutar a minha riqueza pela sua miséria. Um dia, se me der na tinêta, escrever-lhe-ei uma carta na qual lhe proporei a negociata, caso ele não se antecipe depois de ter lido esta crónica.*
Penso que se algo de bem tenho que fazer neste mundo para ganhar o outro, onde não há ambição e os cheques sem cobertura são desconhecidos, vejo neste gesto altruísta uma boa oportunidade para o “desgraçado”.

Agora vem o BPN. Coitado do BPN! Lá tiveram os cidadãos portugueses de contribuir involuntariamente para a vacina contra a crise monetária que arruinou aquela instituição bancária, com a modesta esmola de quatrocentos milhões de €uros.
Foi um algar de, por enquanto, “apontados benfeitores”. Esperem que ainda a procissão vai no adro!... Isto é só a uma ponta de um tentáculo do polvo.
O cidadão, “Zé” Oliveira e Costa já me parece um bocado zonzo da cabeçona ou então é um bom actor; caso se venha a atestar esse dom, certamente que vai ter pela frente um brilhante futuro como “músico” nas telenovelas, actualmente muito popularizadas.
Mas se a abóbora pifa e ele começa a regurgitar, é que vão ser elas!?
Olhem agora para o que lhe havia de dar!?... Denegrir o nome do Digmº. Cidadão “Manel” Dias Loureiro. Isso não se faz.
Eu sempre o conheci como uma pessoa de abastadas posses económicas. Já há muitos anos ele possuía um carro de alta gama a bater válvulas por todo o lado, pegava de empurrão, e arrotava baforadas de potência negra, quando era professor em Cantanhede. Nessa altura andava eu à pata. Se ele continua rico é porque tem “trabalhado” para isso. Como, onde ou a quem, a mim não diz respeito.
Claro que não advogo a possibilidade, ainda que remota, de “Zé” de Oliveira e Costa não ser culpado no caso BPN, mas de uma coisa estou certo: o buracão é tão grande que não pode ter sido criado por um só homem. Foi necessário remover muitas pazadas de argúcia, “arrumar” alguns incomodativos pedregulhos do caminho e criar estreitos laços de conivência convergente nos interesses comuns em torno de uma távola redonda que não se conhece, enquanto o Banco de Portugal nas horas de labor, curtia uma mexicana siesta à sombra de uma árvore chamada incapacidade.
Existem evidências que fogem à minha compreensão e com as quais não estou de acordo, bem assim como uma maioria dos portugueses; evidentemente que da minha conjecturada sondagem, também fazem parte aqueles que vêem só de um olho ou pensam somente com metade da massa encefálica. É que os factos são de tal relevância que não é necessário ser-se muito esperto para enxergar o que se está a passar.
Todas as indagações ou processos de alçado litigioso que metam “cães grandes”, arrastam-se por tempo indefinido utilizado na confecção de saladas russas, até se diluírem em conserva letárgica e serem postos de lado nas prateleiras, presumivelmente carcomidas e cheias de pó, dos arquivos judiciais, se antes não tiverem escapulido desse sepulcral destino, alimento com o qual, um dia a História se irá nutrir.
É tudo uma cambada, cuja seriedade está encharcada pela dúvida, para não fazer afirmações de certeza!
Podemos sustentar a convicção de que tudo acabará numa boa!
No código deontológico das corjas, existem laços de apadrinhamento mútuo, rodeados por malquerenças fingidas, mas acaba tudo por dar certo.


António Figueiredo e Silva

Coimbra

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*Se as crónicas que há alguns anos venho
a escrever são inseridas em tantos jornais,
pode ser que esta lhe vá parar à mão.
Espero bem que sim.

domingo, 31 de maio de 2009

O ARBÍTRIO

O ARBÍTRIO



Uma criança que por estar sob o jugo tutelar lhe é castrada a vontade própria, colocando-a deste modo em agonizante sofrimento. Ainda para mais agravar a sua desventura, é empurrada para o exílio num país que não é o seu, não conhece, nem fala a sua língua, começando a sofrer logo em tenra idade. Isto para fazer prevalecer que bem ou mal quem manda são os adultos de corpo, de idade, mas não de cabeça, porque está concluído que por vezes a matemática intelectual falha nas suas equações.
Não devemos culpabilizar a lei, contudo, a sua aplicação. Reconheço no entanto que é difícil sentenciar, porque a lei, bem assim como a sentença, não obedecem a uma exactidão absoluta, como também as apreciações de quem a aplica que apesar de tidas como conscienciosas, são alicerçadas nos factos e pareceres que servem de base à sua aplicação.
Entre a lei, a sua interpretação e a posterior aplicação da sua doutrina, as diferenças podem ser ténues ou abissais. Todavia, esses fossos podem e devem ser minorados, através das linhas da ética e seu consequente entrosamento na moral, que constitui o factor primordial da consciência. Evidentemente para quem a tem e não para quem a julga ter.
O ser humano, apesar de instituir parâmetros coercivos e tutelares que regem a sua vivência em sociedade, tem os seus momentos de imponderabilidade e principalmente quando se trata de por em prática um acto decisório, ainda que fundamentado nesses mesmos parâmetros. Ao conceito destas três linhas que supra escrevi, eu catalogo de falta de discernimento momentâneo, não digo individual, mas colectivo.
Foi isto que sucedeu na decisão da sentença que traçou o destino da Alexandra. É por isso que a Lei levada ao extremo, pode na realidade tornar-se injusta; porém, não cabe ao juiz andar no meio social a investigar e urdir relatórios, mas sim basear-se nos factos que lhe são apresentados, por técnicos ou “técnicos” devidamente credenciados para o efeito. Foi o que aconteceu. E agora, extinguiu-se a maneira de repor o passado no presente, subsistindo apenas um futuro quiçá amargo para aquela criança.
Não avento aqui a hipótese de defesa ou ataque a alguém e muito menos ao decisor de tal sentença, porque é humano e está sujeito a errar como os demais, por vezes em inconsciência, outras – com maior quinhão – pelos factos que lhe são expostos, escritos ou verbais, por pessoas que se pensa serem de esmerada credibilidade, na investigação das ocorrências e sua equação. Estas coisas por vezes podem falhar, quer por defeito, quer por excesso.
Sabe-se lá o peso psicológico, que o interior da cabeça não sustentará, o juiz que por força da lei e das circunstâncias apresentadas se viu obrigado a decretar tal sentença!?... Já repararam quantos milhões ou até biliões de dedos estão apontados à sua figura por uma decisão que a meu ver foi mal ponderada em relação à ética, mas em todavia em conformidade com os acontecimentos epistolados que a isso deram origem?... É por isso que a Lei é dura mas é Lei.
Isto é susceptível de acontecer e certamente que muitos em todo o mundo estarão pagando por actos que não cometeram.
Por muito que o ser humano estude e apreenda com o rumo à sua intelectualização, ele será sempre uma perfeita imperfeição da Natureza.
É certo que os vaidosos não pensam assim, criando desta maneira barreiras e patamares de divisão social onde a impunidade passa à tangente como é do conhecimento geral.
Contudo, se quem é mandatado para tomar decisões e proferir sentenças, não gozasse de imunidade, talvez o mundo entrasse numa crise de jurisprudência. E depois?... Andaria tudo sem rei nem roque?
Não seria pior a emenda que o soneto?!
Agora, se me é permitido avaliar, penso que sim, o caso da Alexandra foi mal avaliado. A narrativa dessa avaliação culminou na sentença que se viu. O que se pode agora fazer? Nada. Todavia, devo confessar que não me queria concavar, não digo na consciência, mas não posição do juiz que deu o veredicto. O sentimento de “culpa” e o incómodo derrotam uma pessoa por mais forte que ela seja!
Alexandra é mais uma criança como tantas outras, que neste mundo-cão começou a carregar uma cruz desde a nascença.
E agora para concluir: aos fazedores de leis portugueses, aos sentenciadores das mesmas e também aos investigadores e relatores, ainda quero acrescentar: MÃE não é aquela concebe e deixa a cria ao Deus-dará, mas aquela a cria e ama.



António Figueiredo e Silva

Coimbra

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