quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

CAPITALISMO, PODER E ESCRAVATURA

No futuro, esta será a comida que de certo restará aos portugueses, se a governação vigente se mantiver por muito mais tempo.


Apesar d’esta crónica ter sido
escrita há 1335 dias e com cobertura
nacional, observem os leitores se
não está mais actualizada do que nunca!

*CAPITALISMO, PODER E ESCRAVATURA
Soterrando todas as normas da harmonia social, o capitalismo artificioso e fora do comum, vem promovendo a escravatura que actualmente se vive. Este, exerce sobre a massa obreira uma tenaz e persistente pressão psicológica, com o objectivo de absorver o máximo de lucros no fim das safras. Chupa os seus colaboradores até à medula, exigindo-lhes objectivos por vezes intransponíveis dentro do horário normal de trabalho, obrigando-os a declinarem parte ou quase toda a vida familiar a que deviam ter direito, para poderem dedicar-se monástica e integralmente à causa que lhes é cinicamente imposta, em género de convite obrigatório, e, como tal, em tom suave mas cinicamente ameaçador.
Sendo a oferta maior do que a procura, obtêm como resultado um charco de “azoto” aonde os chorudos e proliferantes lucros crescem e se multiplicam como bactérias, num espaço impermeável à fiscalização e consequentemente à lei, mas, tudo ardilosamente calculado.
É neste criminoso matagal que vagueia a escravatura moderna! De sapatos a brilhar, mas “com as solas rotas”, com bonitas gravatas encastradas em camisas de boa aparência compradas nos mais baratos saldos, embutidas num fato que não viu paga a sua última prestação, ostentando no pulso relógios de famosas marcas comprados nos chineses e movimentando juntamente com cotão, uns trocos do próximo ordenado que, antes de vencido, já foi previamente hipotecado ao banco.
Toda esta miséria existe sob o disfarce de um sorriso aberto mas de nervosa palidez, adornado por uma mise bem feita, donde brotam dos lobos das orelhas uns penduricalhos de plástico ou lata, em simbiose com o “cromado” do baton e a cor ou a transparência envernizada dos “cascos”. Remedeia a larica estomacal com uma miserável sandes ou um falsificado croissant, que é de tudo menos de farinha de trigo, afogando a mistura, mágoa, pastel ou sandes, num copo de água-del-cano que sempre é de borla - sabe-se lá até quando! - argumentado para este ritual a falta de apetite ou a pressa – que raras vezes são verdades.
Este é o retrato da escravatura do nosso século, manifesta e deliberadamente propagada pelo capitalismo, que o poder, pela sua contaminação não consegue suster, porque ele é o próprio poder. E é neste capitalismo que se gera num ambiente tumultuoso, manifestado sobre pressões de ordem psicológica, que com o andar dos tempos se transmutam em depressões sem cura e arrumam o ser humano para a prateleira da inutilidade ainda numa idade produtiva.
No nosso século, quer se queira ou não, é-se velho sendo-se ainda novo. É a isto que eu chamo de envelhecimento prematuro; consequência da falta de humanismo que por si é decorrente da ganância doentia que se converte em sede de poder.
Não me interessa o país dos outros. O que me interessa é o meu. E aqui, quer queiram quer não, já cá chegou a moléstia; isto passa-se e com tanta intensidade que qualquer bacôco consegue ver.
A manada é tão grande e tão diversificada, que os donos do grande capital podem escolher os perfis que mais lhes convêm para o desempenho das funções a atribuir e pelo espaço de tempo que desejarem. Para o efeito, o “palhaço” não possui nome, mas apenas um número digitalizado num CD ou no disco duro de um computador.
O ritmo deste estado de coisas está a atingir uma aceleração de tal forma, que estou a ver que não há poder que lhe trave o frenético impulso. Está-se a atingir uma completa e tenebrosa situação de anacronismo a todos os níveis, não exceptuando desta maleita o próprio governo.
E assim se nos apresenta uma nova forma de escravatura, sem tanga e sem chicote nem grilhetas; mas esta é pior que a outra, porque não há esperança na obtenção de uma carta de alforria! Porque esta escravatura sobe à medida que o capitalismo selvagem avança e cria o poder escuro - mas legalizado - para sua auto-protecção.
O resto são escravos! São simples números! São palhaços compulsivos.
Se isto assim continua nesta desenfreada cavalgada, qualquer dia só existem bestas de carga sem vontade própria, que suportam o aperto do arrôcho e docilmente obedecem à lei do chicote.


António Figueiredo e Silva
Coimbra

*Obs: Para quem já leu, pode verificar que
esta narração sofreu pequenas modificações
no seu conteúdo, não tendo alterado porém,
a integralidade do seu sentido.
.
Blog: Antoniofigueiredo.pt.vu

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

SÓ TÉCNICA E DOUTORICE

SÓ TÉCNICA E DOUTORICE


Quando em horas de “lazer” percorro os andurriais da minha imaginação, por vezes dou comigo a rir sozinho feito um doido varrido, – e até sou! - por chegar a conclusões que, de tão risíveis que são, me colocam num estado de “aparvalhada” alegria.
Ao mesmo tempo chego à patética conclusão de que estamos num país bastante desenvolvido “técnica e doutamente”, porque não o estamos mentalmente. Cá, a técnica e a doutorice transborda por todos os cantos e esquinas, prova evidente e irrefutável de que realmente somos um país de “artistas” fora do comum, por opção, e megalómanos convictos por obrigação congénita.
Pela maneira e pelo tom como os vocábulos “técnica ou doutorice” e seus derivados são aplicados, o que nos apraz concluir é que manifestamente não somos mais do que uma sociedade de vaidosos, acentuadamente estupidificados.
Começou por deixar de haver agentes técnicos de engenharia, para termos engenheiros técnicos. Isto para que ao Sr. Abel não chamemos Sr. Abel, mas sim Sr. Engenheiro Abel, como os outros que se licenciaram nas Faculdades de Engenharia. É muito mais fino, não é, Sr. Abel?...
A palavra varredor foi banida do nosso vocabulário quotidiano e passou a ser Técnico de Higiene e Limpeza. Realmente para este serviço é necessária uma técnica requintada, se não morremos todos sufocados na porcaria que fazemos. E se for do que pertence à recolha dos resíduos das nossas cozinhas, podemos morrer com algum tomate podre entalado na garganta, uns talos de couve a tapar-nos as narinas, uma lata de sardinha vazia no cocuruto da cabeçona, os pés ensopados em alguns pacotes de leite podre, algumas salsichas cheias de bolor metidas nos ouvidos e um ranhoso nabo ou cenoura em cada mão. Que triste figura! Para que tal não aconteça é necessária uma técnica desgraçada.
Não existem fiscais sanitários mas Técnicos Sanitários. Vejam lá se não soa melhor!? “Tem o papel higiénico no lugar devido? E lava-mãos com desinfectante? Por acaso existem por aqui alguns hóspedes indesejáveis?... Como moscas, baratas, ratos, mosquitos, ou outros animais pensantes? Aconselho a colocar à entrada da porta, em sítio bem visível, um letreiro, “proibida a entrada a animais” (?).
Treinador de futebol?! O Técnico de Futebol ou o Mister, seu sabujo!... Qual treinador, qual carapuça?! Então Técnico ou Mister não é mais fino? P’stá claro!
Há também os Técnicos de Canalização, que já não são simplesmente canalizadores e muitas vezes deixam roturas nos serviços por eles executados, não por incompetência mas por não lhes ser reconhecida a licenciatura; não é por falta de saber, mas por uma pequenina vingança social.
Mecânicos de refrigeração, actualmente são Técnicos de Frio. Neste caso é para não haver confusão, pois há muita gente que pensa que refrigerar é aquecer.
Mecânicos de Automóveis também estão prestes a desaparecer, porque até a Marta vai enviar imediatamente um “Técnico” para substituir o pneu!?...
As farmácias deixaram de possuir empregados de balcão, para suportarem Técnicos de Farmácia.
Já não há carpinteiros ou marceneiros, mas Técnicos de Carpintaria que muitas vezes nem uma “gaiola” mal feita sabem fazer.
Repare-se que até já não existem vendedores!... São Técnicos de Vendas, caríssimos!!!
Isto para não falar nos nomes pomposos como Manager, Técnico de Marketing etc. até conheci um que se intitulava Director Manager, ahm?! É boa não é?
Contínuos; a continuidade desta palavra chegou ao fim e deu lugar a outro nome de maior quilate, cuja fineza se estampa nas/os “Auxiliares de Acção Educativa”.
As coisas estão realmente bem vistas; até para tomar conta de crianças que muitas vezes os pais não sabem educar, são necessárias Educadoras de Infância - que não sejam os pais a educá-las e vão ver onde isto vai parar!?
Também existem para outras funções como o próprio nome indica, “Auxiliares de Acção Médica”. Isto também não é para qualquer um (?).
E agora com as licenciaturas em tudo, existem os Enfermeiros drs., Dentistas drs., guarda-livros, mais conhecidos por Técnicos de Contas, agora também drs., Assistentes Sociais drs., Optometristas drs., Audiologistas drs., Podologistas drs., Educadores de Infância drs. e na indústria hoteleira, Empregados de Balcão drs., etc. Vejam lá que até aos coveiros lhes enterraram o antigo e necrófobo nome e passaram a ser designados como Técnicos de Profundidade.
Os da Propaganda Médica, para não serem confundidos com os vendedores da banha de cobra do Instituto Butantam de S. Paulo, passaram a Delegados de Informação Médica. Sempre é mais suave e bem merecido – na sua maioria não são drs., mas têm a mania que falam com eles.
O que nós actualmente mais precisávamos era de Veterinários, os verdadeiros Doutores, para tratar esta animalada que não anda bem da caixa-dos-pirolitos e um Técnico de Calçado de Ferro, antigo ferrador, para lhes tratar dos cascos o polir-lhes a ceratina dos chavelhos.


António Figueiredo e Silva
Coimbra

terça-feira, 21 de setembro de 2010

OS "EMPREGADOS" DA PULÍTICA


OS "EMPREGADOS”
DA PULÍTICA


Enxameando e zunindo à nossa volta, fazem de nós a escrava massa obreira de que precisam para a sua opípara sobrevivência e também para a continuidade da sua “monarquia” sem direito a coroa, usufruindo no entanto do poder ceptral.
Uns, filhos do pai e da mãe, outros só filhos do pai, alguns, apenas da mãe e outros sabe-se lá de quem, unem-se numa cerrada matilha e provocam uma canzoada tal, que destroçam a nossa orientação e a nossa condescendência.
Não são organizados por qualquer sindicato que promova a sua união; porém, não é duvidosa a existência de uma coesão entre eles, que dá origem a uma força tutelar entre si, criando para isso barreiras (legais) que lhes são favoráveis e não estão ao alcance de qualquer “palhaço”, por mais inteligente que seja.
No cosmos pulitiquista, lá vem um ou outro, sensato, lúcido e integro, mas mais tarde ou mais cedo se não é de determinação vincada, acaba por ser corrompido pela a moléstia da “cochonilha” materialista, cuja ânsia destrói a sensatez e semeia o terror dos povos onde ela se vulgariza, cujo sintoma central é o aperto da cilha com consequências desastrosas.
Até chegarem ao cume, Os “Empregados” da Pulítica, com “plangente sacrifício” – isso é que era bom! – como fiéis seguidores de Sísifo, carregam a sua pedra; entre sorrisos amarelos, beijocas com hálito cadavérico e empanturramentos gastronómicos sem fome, forçadamente sorridentes e cantando victória, quando a derrota não bate pela porta do cavalo, enfeitam o desfecho com uns ramalhêtes de locuções, expressões e propostas, que fazem dilatar os globos oculares dos “amblíopes” que os escutam de orelha afiada, fazendo-lhes germinar uma réstia de esperança sebastianista; só que, quando chegam ao topo, agarram o calhau de tal forma, que o raio da pedra não volta a rolar pela vertente abaixo. Concluem como os pegadores numa festa brava, onde só o animal tem valentia. Seguram o touro pelos cornos e nunca mais largam o pedregulho.
Aí, os “cegos” que os ouviram, que acreditaram nas suas propostas e que depositaram neles, ainda que longínqua, a esperança de uma “terra prometida”, maldizem de si próprios e acabrunham-se no lodaçal em que se deixaram meter, arrastando sem querer (?) o resto do populaça com eles. Porque começaram a abrir os olhos tarde de mais e a colacionar que Os “Empregados” da Pulítica estavam a ter posturas pouco dignificantes e com uma desfaçatez fora do comum, o que não era aguardado.
Os “Empregados” da Pulítica fazem questão em puxar o lustro à sua imagem, para que esta se torne convincente e logicamente vendável. Sim, vendável! Deslocam-se em bólides de última gama, albardam-se por medida, não é qualquer “manjedoura” que lhes serve, por causa da sua delicada dentição também não é qualquer palha ou feno que ousam trincar, aboam em classe VIP e metem na mioleira as prelecções antes de as proferirem ou rapam de um escrito e descarregam, na maior parte das vezes, aquilo que outros “Empregados” da Pulítica (os tarefeiros) fizeram ad hoc, segundo a solenidade do evento e da pardalada que se ajunta com natural hipocrisia ou limitada cultura, para bater palmas, num gesto de copioso zelo pela manutenção dos “tachos” que lhe cabem, concomitantemente com a arraia miúda a fazer monte e a contar um voto, que não será virtual. É triste!...
Todas estas coisas acontecem à nossa volta diariamente com tanta subtileza, que quem não estiver atento vai no fole e até se esquece de que Os “Empregados” da Pulítica estão vacinados contra os valores da ética, da moral e do bom senso, virtudes sob as quais a sociedade devia funcionar, não passando isto porém, de uma pura ilusão.
Que exemplos poderão tirar os povos d’Os “Empregados” da Pulítica?
Sem pretender normalizar, porque existe sempre alguém que fica fora de cesto, o que acontece é que Os “Empregados” da Pulítica, falhados por natureza, viram nesta profissão o asilo dourado para desovar a sua incompetência e agarraram aquela tábua de salvação onde entraram de pata rasa ou mesmo descalça, podendo depois usufruir de quase tudo, à custa da sua lábia e da tutela da seita a que pertencem, apresentado depois e compulsivamente a factura aos “marretas”. Tudo isto a expensas da boa-fé ou da ignorância dos povos que se deixaram arrastar, uns pela sua simplicidade e outros pela falta de conhecimento.
No entanto, Os "Empregados" da Política é que beneficiam sempre!... Eles comem as papas e os lorpas rapam as sobras.
É no entanto de frisar, que no monte de rolhas social que ovaciona Os “Empregados” da Pulítica, também existem os manhosos, que não sendo perspicazes nem inteligentes são solícitos capachos mas exímios artistas em puxar a teta para si e rapar o maior quinhão do resto das papas sobreviventes na panela.


António Figueiredo e Silva
Coimbra.

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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A PROPÓSITO DE...


Fico contente quando aparece alguém que, atacado
por indigestão partidária, despeja cá para fora os
seus ressentimentos quando a maré não toca a seu
favor. Bem, mas isso é o menos!? Contudo, ao não dar
a cara, interrogo: qual a classificação que deverei atribuir
ao procriador de tal atitude?




A PROPÓSITO DE…


“CARCÔMA NA PALHÊTA”, editado em 10 de Setembro 2010, neste periódico, cabe-me urdir alguns comentários, por coerência comigo próprio, por conveniência na defesa da minha linha opinativa (não afirmativa) e pela condenação da covardia de algumas pessoas, se hipocritamente assim posso considerar, que, tecendo acidificados comentários, ao que parece de origem arreigadamente facciosa e endémica de comatosa idolatria, se escondem por detrás do anonimato.
Eu jamais me considerei um “arauto da verdade”; por tal motivo, tudo o que possa ter escrito ou verbado, que venha a dizer ou a rabiscar, é sempre passível de discussão (não confundir com altercação) uma vez que eu tenho a certeza de que quanto mais sei, mais aumenta a minha ignorância, apanágio que infelizmente não cabe na abóbora cabeluda ou careca de muitos sabedores de coisas.
Sempre fui apologista do debate franco, aberto e frontal, onde as ideias e os factos são apresentados, analisados e questionados, com o objectivo de atingir determinadas conclusões através do consenso ou não, das partes constituintes na “refrega”.
Até dá a impressão aos leitores, de que estou aqui a atirar palavras para o vácuo, sendo lógico porém, que elas encurralam mesmo uma finalidade cujo objectivo e determinação, é atingir a imbecilidade de anónimos que, com a coragem decapitada, se coíbem de mostrar a sua identidade, não deixando contudo, entre cartas ou telefonemas, de catapultarem meia dúzia de melindrados gemidos, denunciadores do seu traumatismo ideológico, do qual não tenho culpa alguma.
Não quer dizer que eu trilhe sobre o caminho correcto, mas faço questão em expôr o producto das minhas observações em face dos factos que dentro da nossa sociedade vão surgindo, obviamente acarretando com a responsabilidade das minhas palavras que muitos mesquinhos não gostam, porque elas certamente fustigam com acentuada robustez os seus interesses ou as suas convicções.
Mas que hei-de eu fazer?!
E, finalizando, para validar tudo o que acabei de ortografar, devo dizer que nunca me escondi atrás dos merdosos montes da palha do anonimato, remoendo o que me vai na alma em nervoso monólogo. Sempre dei a cara.
Não sei se com esta marretada conseguirei demolir o muro pedregoso que separa a coragem da fraqueza de espírito.
Quedo, fico à espera.


António Figueiredo e Silva
Coimbra

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

"CARCOMA NA PALHÊTA"

“CARCOMA NA PALHÊTA”

Há uns tempitos para cá, tem sido insuficiente, por descrédito, a “musicalidade” do cidadão José Sócrates, nosso Primeiro-ministro – que Deus o conserve (?...) – no que diz respeito à persuasão do público. A sua outrora aguçada e apurada palhêta já não causa narcotização em ninguém. O carcoma do desgaste provocado por uma administração de escopêta e por demais duvidosa, tem dado cabo dela.
Para além de já estar depreciado como o demonstraram os portugueses, nas últimas eleições para a UE (União Europeia), perante infortúnio de ter escolhido para aspirante às mesmas eleições como cabeça de lista, um avozinho porreiro, com a cabeça nevada, mas com cabelo a mais para a idade, denotando um símbolo de dúbia intelectualidade para o efeito. É sempre bom convocar estes acontecimentos à colação para manterem o interior da piolheira dos nossos patriotas em franca actividade.
Foi um segundo plano mal concebido, que obrigou o nosso Primeiro-ministro a usar infrutiferamente e ainda bem, de toda a sua rotineira cantata, que vastas vezes me faz assomar à memória o Imperador Nero, que cantarolava e arranhava a harpa, enquanto Roma queimava.
O nosso país também está a arder, ele continua a “cantar” e os portugueses bem sentem a ardência flamejante e tórrida da fogueira ateada pelos seus “discípulos” sob o seu obstinado comando.
Agora a crise internacional é que paga tudo. Mas não é tudo!?
O PS, possuído de uma diabólica soltura interna, não consegue aplicar na governação, directrizes por conta, peso e medida! Ou sonega a conta, ou amplia no peso ou alarga a medida. Mas a perturbação é manifesta. Já nem Augusto Santos Silva lhe pode acudir, apesar da sua filosófica retórica empedernida de cinismo a tentar defender o indefensável; nem todos os santos que no Céu existem, farão inverter o rumo a uma inevitável derrota, que apenas deixará como despojo um “rectângulo” pejado de “ovos podres” e quem vier que se desencrave.
Nem mesmo o irritante tubérculo Vitalino Canas, que mais parece um tarefeiro do partido do que outra coisa, conseguiu até agora fazer algo para manter a legião com cabeça da fora da água turva onde lentamente vem submergindo.
Para os portugueses, o problema não está em o “barco” atolar-se; a dificuldade reside nos custos que todos teremos de suportar por causa do timão que por incúria foi mal manobrado e o timoneiro não paga por isso. Isto é, não existem arguições pelas irresponsabilidades cometidas. Todavia, encarando de outro aspecto, existir, existem, o que acontece é que elas ao colidirem com o escudo da imunidade desfazem-se sob o peso das argumentações sem crédito, várias vezes tuteladas pela lei.
O Governo e o nosso Primeiro-ministro sabem disso. Porém, como José Sócrates é o porta-voz de todo elenco governamental, existe uma manifesta impressão de que a sua dantes afinada palhêta, está agora a fugir do seu tom e do seu aguerrido volume.
Ninguém pode garantir que não seja o carcoma que lhe ataca a palhêta, quem sabe?!
Estou com pena!



António Figueiredo e Silva
Coimbra

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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

INCÊNDIOS E INCENDIÁRIOS

INCÊNDIOS E INCENDIÁRIOS


Estas queimadas de origem criminosa há muito tempo que poderiam ter baixado a sua assiduidade, se o governo assim o desejasse. Não quero com esta minha afirmação culpar este governo, porém, todos os que pelo nosso semicírculo parlamentar se têm comodamente refrescado com a brisa dos vórtices do ar condicionado, enquanto a nossa floresta se decora com dantescas labaredas, lançando aterradores fumos tóxicos e um gigantesco número de faúlhas, para poluição do planeta azul e deleite dos “sofredores” de piromania.
Nenhum dos nossos legisladores, ou artesãos de leis, que é mais adequado, até hoje foi capaz de criar normas incisivas cuja coerção fosse estigmatizante o suficiente para esses terroristas, incendiários, criminosos, ou a fogueira que os consuma, (o raio que os parta) temerem as consequências quando fossem apanhados – e não têm sido tão poucos como isso.
O que se tem legislado sobre esta matéria, tem sido no sentido de se ter cuidado com as beatas do cigarro, - não pretendo confundir com sectarismos ortodoxos; com o lume imanado por meia dúzia de brasas no chão ou num rústico fogareiro, onde lentamente a assar rechinam meia dúzia sardinhas; com bocados de garrafas de vidro atiradas para as matas que podem fazer convergir os raios solares num ponto quente, – ó égua!; com as centelhas lançadas pelas chaminés dos comboios a vapor, que por debilidade na inteligência dos nossos governantes já não existe nenhum, nem que fosse para activar o turismo na terra dos marretas, etc.
Se há tantos anos existe governo, - não sei se terá sido bem assim - há tanto tempo que o número aterrador de fogos têm vindo a aumentar e com diversas frentes ao mesmo tempo, o que mais necessita a administração central, para chegar à conclusão de que a maioria deles é de origem criminosa?
Esta aterradora situação mexe muito comigo! Aliás, com toda a gente de mente sã.
Estou convencido de que deve haver uma seita ou uma irmandade de loucos a nível universal, cujas normas são “assadas” – cozinhadas - hermeticamente, e estão apostados em dar cabo da vida neste planeta, por prazer, por ganância ou por desinteresse pela vida. Digo a nível universal, porque esta situação não tem vindo a acontecer somente em Portugal.
Mas seja qual for o propósito, se passa pela venêta das populações fazerem uns churrascos antropofágicos, certamente que mais de cinquenta por cento dos fogos deixam de existir.
De qualquer maneira e não negando eu ser individualista, o que mais me diz respeito é o meu país, do qual sou cidadão genuíno e não emprestado, e pelo qual dei o coiro quando a isso fui chamado. Já sei que vão intitular-me de xenófobo, mas para esses, se vierem a existir, estou-me po-si-ti-va-men-te, cagando.
Não seria necessário decretar prisão efectiva, preventiva, ou ainda impôr a “coscuvilhice” através de uma pulseira com “JPS” para ver se o “menino foi à tasca emborcar um copito, se as esquadras de polícia funcionassem também como instituições de atendimento personalizado onde poderia haver uma secção de alfaiataria em que os alfaiates estariam prontos para talhar os fatos à medida dos canastros dos criminosos, chegando-lhes a roupa ao pêlo com o cass-tête, seguido depois de uma consequente regeneração hospitalar a título de bonificação paga pelo contribuinte, com sublinhado prazer.
Agora certamente que por aí vem algum mentecapto com a teoria dos direitos humanos. Se isto acontecer, eu antecipadamente ouso perguntar a essa ratazana: quem tem direito aos direitos humanos, os criminosos ou as pessoas de boa índole?
Sinto que a maioria dos povos não está preparada para viver em democracia. Sim, porque isto não é democracia não é nada; é uma selvajaria e cada um que se safe como lhe aprouver.
De uma coisa estou ciente; não havendo medo, não há respeito algum.
E os nossos cozinheiros de leis que metam isto na cabeça e se não actuarem como deve ser, os netos deles também nunca terão paz.

António Figueiredo e Silva
Coimbra

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quarta-feira, 28 de julho de 2010

MAN'EL ALEGRE A PRESIDENTE

MAN’EL ALEGRE A PRESIDENTE?!...


Oh, oh, oh!... Seria pior do que mictar na sopa! Creio ainda, apesar das besteiradas que se têm praticado, que os portugueses sabem diferenciar um patriota de um anti-patriota que não olhou onde punha os pés para atingir as suas conveniências. Espero bem, que os portugueses não se deixem adormecer pela sua inspirada lenga-lenga de “trovadoresca” veia.
Lá que tem um verbo sonante e cadenciado, capaz de superar o timbre decibélico de uma vuvuzela, é qualidade que se lhe não pode retirar; de resto, tem sido mais um pescador de oportunidades do que outra coisa. É uma figura que ainda conserva em seu âmago a fibra da “arte” teatral do seu tempo de aluno da Universidade de Coimbra, marca que até hoje lhe tem sido proveitosa, porque lhe permitiu rabear por entre os canaviais da política e cozinhar em diversos “tachos”, acabando, ao que se sabe, com um pecúlio de três mil duzentos e dezanove euros, como aposentado da RDP, onde “trabalhou” um tempito rosnando a favor da guerrilha no Ultramar, a juntar a um auxílio vitalício que vai além dos dois mil euros mensais. Nada mau!? Sempre vale a pena ser actor!... Mas existem muitos idênticos! Somos na verdade um país de “artistas” nas mais diversas áreas e principalmente no espaço que concerne à política, cuja “moléstia” germinou desordenadamente e sem qualidade, após o 25 de Abril de 1974.
É isso que se tem verificado.
O Sr. Man’el Alegre de Melo Duarte, que hoje poderia ser o distinto presidente de um país chamado Ilha de S. Miguel, se o seu plano de “conquista” se tivesse concretizado em 1961, vem agora afigurar-se como candidato à presidência da República Portuguesa, depois de em Argel, onde se auto-exilou, ter sido um fanático porta-voz contra a doutrina deste país no que se referia à guerra no Ultramar e, consequentemente, contra os portugueses. Lamentavelmente varreu-se-lhe da memória marxista que todos aqueles – como eu – que lá andaram e não fugiram, foi num gesto de cidadania e no cumprimento do seu dever.
Pelas competências consignadas na Constituição da República Portuguesa, o Presidente da República é o Chefe Supremo das Forças Armadas. Assim sendo, para que queríamos um presidente que sempre foi contra a “traulitada” quando ela era necessária e imperativa, em defesa dos seus compatriotas? Dá p´ra pensar, não dá?
Quero lembrar, ou antes, avivar a memória, a todos os espoliados ou seus descendentes, que este indivíduo foi uma das vozes que se levantaram em prol da desgraça que no passado atingiu muitos deles, cujas sequelas ainda hoje subsistem. Por isso, quando calmamente se dirigirem à greta das urnas para enfiarem o voto, pensem duas vezes nisto que acabei de dizer.
Man’el Alegre a Presidente da República?!... Oh, oh, oh! Só faltava esta!?
A minha afirmação é: se a recandidatura de Cavaco Silva se concretizar, a guerra já estará perdida e ainda não a peleja começou. Aí, Man’el Alegre poderá arrumar as botas e abalar para carpir o seu desgosto enxergando as areias sideradas pelo sol do deserto argelino a ver os camelos a blaterar; contudo, à sombra de um bom hotel, porque os nossos impostos para isso são suficientes.
Homem que não luta pela sua pátria, por covardia ou por convicção – nesta não acredito - quando a isso é chamado, não merece um pão que nela se possa produzir. Não vale um naco de consideração, por muito pequeno que seja.

António Figueiredo e Silva
Coimbra
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segunda-feira, 19 de julho de 2010

"LIMPA-CHAMINÉS": Precisam-se

“LIMPA-CHAMMINÉS”: Precisam-se.



Contra todas as expectativas provocadas pelas sondagens – possivelmente adulteradas – e apesar dos inflamados discursos do PS, do débil e cambaleante empurrão do já alquebrado Mário Soares, da contribuição se calhar forçada, do nosso do grande trovador e “revolucionário”, Manuel Alegre, de todo o pecúlio investido na faustosa campanha eleitoral, do favorecimento de alguma parte da comunicação social, das fantasiosas promessas feitas had hoc, para não serem cumpridas, das “vampíricas” beijocas dadas em muitas ventas, algumas com as escamas matinais ainda por desapegar, dos “asfixiantes” abraços de jibóia, que nos deixam apertados e com falta de ar, do estalar das dobradiças falangeanas sob a prensa dos apertões de manápula, etc., o PS não floresceu como desejava. Isto foi e é um facto.
Era de prever. Só não via quem era cego.
Contudo, se em vez de Manuela Ferreira Leite, tivessem importado o Ti Alberto João Jardim, o PSD teria ganho pela maioria absoluta e aí, provavelmente a crise não seria tão acentuada e as coisas fiariam mais fininho. Disso não tenho dúvidas.
Também me apraz dizer, por razões várias, que por vezes não se faz o que se deve, mas o que se pode ou o que os “satélites” do poder exigem que seja concluído. Porém, quem não pode não promete. Sei que é usual dizer-se, o que passou, passou! Até teria algum cabimento se actualmente não sentíssemos o entranhar na pele da nossa vivência, o perfurar sacrificial do silício, forçosamente imposto, que nos dilacera a carne e a resignação, decorrente da política adoptada por uma má governação, levada a efeito pela caturrice e pela coacção de interesses pessoais onde a avidez tem acentuadamente predominado.
O Partido Social Democrata, que em algumas zonas do país é conhecido pelo Partido da Chaminé, ainda acabou por deitar algum fumo branco nas últimas eleições, não para anunciar habemus papam, mas para anunciar que não haveria governo com maioria absoluta. Já não foi mau!? Pensavam os mais sensatos. Mas mesmo assim a coisa não resultou.
De qualquer forma, desde o início deste mandato até ao seu provável desmoronamento antecipado, suponho, vai continuar a boiar uma tábua de salvação podre, que servirá apenas para fundamentar as desculpas para tudo o que casual ou propositadamente, de mal possa ter acontecido ou venha a acontecer:
- Não nos deixaram (des)governar!?...
- Fomos arrastados pela crise mundial, para a qual ainda não existe vacina!...
- É a falta de productividade.
- As exportações têm diminuído.
São uma série de desculpas pateticamente apresentadas, nas quais os portugueses não embarcam, mas que os colocam em permanente situação de aflitiva inquietação. Que presente!... E que futuro?...
Em oposição ou fora dela, todos se têm governado e continuam a governar-se à nossa custa, custe a quem custar.
Indústrias encerram as portas, bancos vão à falência, a corrupção progride, a justiça é moldável ao capital, as forças de segurança não têm força alguma, muitos alunos ensinam os professores, nem que seja à bofetada, criminosos são postos em liberdade e com rendimento mínimo garantido, etc.
O que precisávamos, realmente, era de um conjunto de pessoas patriotas, sensatas, corajosas e inteligentes, capazes de limpar toda a fuligem política, poluidora incontestável desta chaminé à beira-mar plantada, que apesar da sua pequena dimensão está bastante conspurcada.
Por isso, “LIMPA-CHAMINÉS”-precisam-se.


António Figueiredo e Silva
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terça-feira, 27 de abril de 2010

OS TROCA-TINTAS

OS TROCA-TINTAS


Estamos metidos com uma cambada de “vendedores” de banha-da-cobra”, (se lhes chamasse vigaristas ou aldrabões, certamente seria metido no chilindró) que se pavoneiam à nossa custa e não se inibem de nos apertar o garrote da crise por eles provocada, que nos restringe cada vez mais o direito à sobrevivência.
Arreiam com a solha nos dentes e no palato, para gafanhotarem umas oratórias sem critério, sabendo de antemão que nós já não acreditamos, porque a falácia do seu conteúdo é mais do que evidente. Apontam-nos um El Dorado que sabem não existir, mas teimosamente e com asina coragem, insistem em baralhar-nos o senso analítico que deambula na nossa tinêta pelo justo caminho da razão.
Só eles têm direito a “ladrar”, porque a manipulação de todo o sistema está nas suas mãos. Esta récua usa e abusa do poder que detém; este funciona como uma esponja na limpeza e absorção de todas as nódoas, sejam elas de foro económico, judiciário ou criminal.
Mas que cambada!!!
Muito eu gostaria de ver alguns deles a gatafunhar nas intermináveis bichas, que ao romper da madrugada serpenteiam junto às portas das Instituições de (des)Emprego e (de)Formação Profissional, na mira de uma ocupação ou de algum vergonhoso fundo que lhes permitisse dar algum trabalho aos molares, que diligenciariam o mínimo sacrifício na mastigação para que não fosse necessário recorrer à banda gástrica com o objectivo de manter o corpo com uma miserável visão osteo-anatómica enfezada, à laia das top model do século XXI!... Como se encontra actualmente o nosso país, cujo raquitismo é evidente.
Todavia, dos Troca-Tintas, nunca por lá apareceu nenhum!?... Nem aparecerá.
Os elementos circulares da cáfila, por muito inaptos, desonestos ou imbecis que sejam, têm sempre do seu lado a incidência do fermento mafioso da protecção mútua. Por mais investigações que surjam, por muitos julgamentos que se façam, por muitas comissões que se criem, os resultados vão sempre dar ao zero.
“Nós” há uns anitos que temos andado emborrachados numa excessiva e onírica mansidão, (“mansa é a tua tia, pá” – como diz outro) estirados nos braços de Orfeu, a deixar correr o marfim. Embalados em expectativas que sabemos jamais surgirem, temo-nos deixado minar por uma passividade fora de série, cujos tributos nos vão sair muito caros.
Tudo isto graças ao paleio controverso dos Troca-Tintas
Não sei até quando é que este estado de coisas vai durar!
Estamos com uma situação que é mesmo dura de roer e não iremos ter dentes para ela!... Tudo por causa dos Troca-Tintas na sua encarniçada luta pela troca-de-têtas.



António Figueiredo e Silva

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O FLATO

Caros seguidores do meu Blog

Depois de umas compulsivas e longas férias por motivos de doença, faço questão em comunicar-vos que ainda estou a bulir, para plangência de uns e contentamento de outros.
Para os que ficaram desgostosos, já sabem que vão ter que me gramar; para os que ficaram satisfeitos, que vão gozando a paródia à minha custa e dos papalvos que a todo o custo procuram fossar na minha lixeira à procura da compreensão que lhes falta.
A todos e sem distinção, bem-haja por isso.



O FLATO
(vulgo, o peido)


Sob trompética sonância, imitando o bufar de um felino, plagiando um arroto arrependido de sair por cima, ou apenas limitando-se a anunciar a sua presença com um selecto pfffff!..., ou ainda sob uma convicção cavalheiresca, saindo de mansinho e sem qualquer ruído, manifestando-se traiçoeiramente pelo seu fedor, protegendo assim, numa roda de alta roda ou entre amigos, o cú que o desembestou, provocando contemplações de soslaio, compromisso e desconfiança, porém sempre com a evidência das provas diluídas sob olhares apreensivos.
O flato é um gás natural produzido no intestino grosso, decorrente do produto final da alimentação de bactérias que se banqueteiam com os restos de um empanturramento por digerir, normalmente após alambazados repastos.
Porém sendo o flato uma constatação natural, muitos o odeiam, até mesmo aqueles que os desembucham.
Apesar dos seus inconvenientes, serve também o flato, para animar festas onde os vapores etílicos ultrapassaram já a medida do conveniente, ou para cortar a tenebrosa merencoria da solidão, podendo até servir para trautear uma composição musical do Sérgio Godinho, Paco Bandeira ou similar.
É verdade que existem especialistas que conseguem manusear os músculos das abébias e regular o esfíncter de tal forma que conseguem produzir musicalidades suaves como a “Música no Coração”, ou intempestivas como as partituras soviéticas que incitavam à luta pelo “trabalho” rumo à miséria. Estes predicados dependem da maneira de ser do “artista”, do seu estado de espírito, da sua elasticidade anal, do meio onde se encontra e ainda do que anteriormente ruminou. Sim, porque num estômago onde nada entra, o cú não tem saída; esta é a prova evidente da pobreza absoluta.
O tom volumétrico tem a ver com o recato ou a desfaçatez do indivíduo que executa as “melodias” mal cheirosas. Já o seu bálsamo, por norma fétido e intrincável, só diz respeito à qualidade da palha que o animal papou, e, ou o estado da sua figadeira.
O flato, apesar de fastidioso, tem o dom de exorcizar elementos importunos, quando estes nos bombardeiam os tímpanos com conversas-de-deitar-fora. Basta para isso libertar dois ou três flatos selectos e silenciosos, para que os chatos à nossa volta se comecem a afastar, com as mais variadas mas aceitáveis desculpas, embaraçadas por olhares de interrogação e desconfiança conjunta, desconhecendo porém a fonte traidora que cortou a amena cavaqueira, que certamente não tinha préstimo algum, com uma ventilação fedorenta.
Por vezes o flato é também um pregador de partidas que nos pode colocar em posições embaraçosas, se a nossa perspicácia falha; ao puxá-lo, pode o sacana vir protegido por um escudo de caganeira que nos desce até aos tornozelos ou nos salpica a alvura dos lençóis como um tiro de caçadeira de canos cerrados.
Enfim, tem as suas vantagens e desvantagens.
Gostaria que o lente mais esquisito não ficasse tonto ou enjoado com este palavreado, porque não há cú que não dê traque.


António Figueiredo e Silva
Coimbra

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