quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

QUANDO A TERRA TREMER



Por ter lido em www.politica.queiramais.com
um artigo intitulado “O Ínfimo Planeta Terra”,
 de Miguel Portela, ocorreu-me esta visão
 do “Armagedão”, há anos em arquivo.


QUANDO A TERRA TREMER!


O homem não tem emenda. Desde os horrores de Hiroxima e Nagazaki, que o nosso planeta se tem vindo a defrontar com uma fragilização na sua estabilidade.
Por um lado graças à ciência, que vasculhando no âmago da matéria, conseguiu concluir que o infinitamente pequeno conseguia destruir o infinitamente grande graças a uma desprezível partícula chamada neutrão ou através de outro pequeno elemento chamado vírus, que pode rebentar com toda a cadeia de ADN. Por outro lado, graças também ao fanatismo ideológico que atrofia a percepção analítica, e limita assim os horizontes da razão. Ainda por outro lado, o alastramento do egocentrismo que prolifera como uma peste negra e faz com que cada um seja escravo de si próprio e por arrasto escravize os outros.
São estas três razões que, em tresloucada inconsciência hão-de fazer a terra tremer num estertor apocalíptico onde nem as bestas escaparão.
Isto pode acontecer – que vai acontecer - enquanto subsistirem meia dúzia de cabeças onde a noção de vida não tem espaço para existir. E não tenhamos dúvidas quanto à sua existência. Estão hibernando no frio dos seus pensamentos maquiavélicos à espera que germinem as condições adequadas para encetar a destruição, que eu considero factível, perante os elementos de prova de que tenho conhecimento.
Na América do Norte, Rússia, Ucrânia, China, Índia, Paquistão, Iraque, Irão, França e muitos outros, estão os condimentos prontos para gerar um caldo que atingirá temperaturas acima dos vinte mil graus centígrados, milhares de milhões de quilowats de energia e ciclópicas tempestades com ventos capazes de aplainar a face da terra, ou mesmo fragmentá-la.
Encafuados em fortes silos de betão armado e escrupulosamente bem guardados por sistemas de alta segurança, estão armazenados os fazedores de fogos de artifício de um futuro escuro como breu, que trarão a destruição maciça à vida neste planeta e se calhar até o seu próprio fim como matéria palpável.
Estes monstros destruidores estão à mercê de cabeças que eu não confio, e basta que eles saiam do seu casulo para que os neutrões libertados, na sua fúria desenfreada, se encarreguem de seccionar tudo quanto é vida, transformando a sua equivalência em energia no momento da destruição.
Irá ser um “parto” aterrador onde muitos nem vão ter a possibilidade de ranger os dentes num último alívio de aflição. É à velocidade da luz que tudo isto funciona e nada mais; onde o tempo e o espaço possuem um estado referencial diferente daquele que conhecemos nesta existência.
Quando a terra tremer, não irá sobrar ninguém para contar a história. O homem, aprendiz de feiticeiro, passou a outro estado de matéria, fenómeno que ele próprio criou e inconscientemente fez deflagrar.
E lá fica a terra! “Vã, informe e vazia”!... Ou apenas um lugar no cosmos onde antes existiu vida, substituída por uns milhares de meteoros, resultado da sua fragmentação, que vagueiam pelo espaço até serem capturados pela força da gravidade de qualquer outro astro nesta ou noutra galáxia existente nos incomensuráveis confins do Universo.


António Figueiredo e Silva
Coimbra 10/05/2007     

CRENTE, SIM! BURRO, NÃO.



CRENTE, SIM! BURRO, NÃO.

Costuma o povo dizer que “a fé é que nos salva”.
Naturalmente que esta citação tem um cunho psicológico de grande ajuda, para aqueles que a natureza bafejou com o sentimento da resignação já podre de maduro.
Através das mais diversas e complicadas formas de investigação científica, conclui-se que o discernimento é uma função natural, genética, “soprada” de forma gradual mas implícita, em todos os seres pensantes, quando eles ainda barbataneiam em paz, no fluido amniótico uterino. O seu desenvolvimento, porém, é que não se manifesta da mesma maneira e com equilibrada uniformidade em todos os encéfalos, e, de jeito nenhum, na cadeia de acéfalos, que por sinal, alguns elos dessa corrente têm vindo a fazer parte integrante do grosso das falanges magalíticas que nos têm orientado, no azimute crítico da desorientação.
As análises e aplicações resultantes da falta de medrança dessa função natural, o discernimento, quase sempre dão “barraca” da grossa e tudo o que daí proceder, com o andar do tempo, arruinar-se-á certamente.
Existe todavia uma pedra angular (?) sobre a qual o ser racional procura minimizar o sofrimento megalómano que o agrilhoa e nela rebusca uma alacridade falsamente astéria, até que os “calos” denunciem a sua existência. São a crença e a esperança, as duas faces dessa pedra angular, que servem de lenitivo, mas não resolvem os problemas materiais, que são os que mais fazem doer o corpo e a alma. É que não o dissolvem mesmo! Estão incapacitadas dessa função, enquanto existir entre elas uma bissectriz de mau alinhamento chamada Finanças.
Isso leva a crer que as veredas na procura dessa fé, dessa esperança, realmente foram trocadas: enquanto até aqui se ia dizendo que “todos os caminhos vão dar a Roma”, com grande pesar e sob o implacável chicote da acção coersiva, passou a dizer-se que, “todos os caminhos vão dar às Finanças”!... Que actualmente encarnam a retorcida bissectriz do nosso suplício, a gadanha fomentadora da nossa calvície, a cafeína que nos estimula a insónia, o estertor que nos cinde a razão.   
Não, não é esta “fé” que nos salva.
Crente, sim! Burro, não.

António Figueiredo e Silva
Coimbra
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

AS DECLARAÇÕES DA CADELA?...



Se recolhes um cachorro faminto e lhe dás conforto, ele não te morderá.
 Eis a diferença entre o cachorro e o homem.
(Mark Twin)
  
AS DECLARAÇÕES DA CADELA?...
(Cadela “borlista” faz parar comboio em Estarreja)

Em causa estava a falta de pagamento de dois euros pelo transporte do canídeo.
Observei de facto o vídeo através da internet e pressuponho não ter havido qualquer montagem técnica, com vista a deturpar a sua consistência. Que, actos do género causam repulsa, também não deixa de não ser uma exactidão.
O desmesura de zelo e aplicação das regras com muita justeza, também se podem transfigurar em cristalino cretinismo e atropelo. Esta é a realidade. De resto, entre a arguição e a alegação, mesmo em presença factual dos acontecimentos, coloca-se infalivelmente entre ambas, a sombra da dúvida, constituída pela deformação dos acontecimentos ou tentativa do mesmo propósito, para baralhar reflexões e inverter decisões, que são susceptíveis de imputar a culpa e o castigo onde não era real e moralmente pressuposto.
Bem, mas isto é de foro causídico, e só eles podem dar uma explicação cabal – pelo menos têm a obrigação disso – sobre a filosofia inserida no parágrafo acima citado.
Pelo que observei no vídeo, com acentuada sublevação acabei por concluir que aquele ordinário aparato apenas sintetizou a uma contendazita que envolve um cão dócil, (neste caso, ao parece, uma cadela) no meio de uma canzoada caninamente enraivecida, usando métodos ortodoxos que nem pareciam ser de criaturas pensantes.
A cadela, coitada, no meio da barafunda e sem perceber (?) os motivos de todo aquele alarido, decorrente da batalha comboial, latia com agressividade para tentar acudir ao seu amigo (dono), ao mesmo tempo que denunciava a sua mansidão, pelo abanar do rabo.
É certo que o desconhecimento da lei – eu por exemplo desconhecia – não implica a ilibação das suas sanções; mas, que diabo, há sempre uma faculdade superior à lei, que é o bom senso, que neste caso não foi aplicado, dando origem aquela vergonhosa e deprimente balbúrdia, para mim, sem pés nem cabeça.
Pude ver que a desventurada cadela não disse uma palavra se quer, enquanto a canzoada que a rodeava, com justa razão protestava seu favor e cuspia “sentenças” de revolta, misturadas com outros vocábulos perniciosos que certificavam sem dúvida, um opaco brilho civilizacional nos intervenientes, com as devidas excepções, como é evidente.
O revisor, no cego cumprimento do seu dever – e muito bem – por imbecilidade humana, merece um louvor ou uma subida de posto; autoridade, com todo o seu esmero pouco polido, diga-se, também merece um enaltecimento, por todo o tumulto que ajudou a urdir e pelo trabalho que teve para levar os presumíveis “bandidos” para a esquadra, sujeitos a posteriores declarações. Até agora deveria estar tudo certo, mas…
Depois das declarações prestadas, feitas as devidas e costumeiras investigações e se não constituir segredo de justiça, agora muito usada a favor dos cães grandes, gostaria que viesse a público o relatório final onde constasse as declarações do bicho. Neste caso, da bicha (cadela).
O que ela não deve ter passado no meio de toda aquela bicharada de tão reduzida imaginação.
Coitada da cadela!!!

António Figueiredo e Silva
Coimbra, 25 Fevereiro 2013
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sábado, 23 de fevereiro de 2013

A MÚSICA! ALMA DA EXISTÊNCIA.



A música está em tudo.
Do universo sai um hino.
(Victor Hugo)


A MÚSICA!
Alma da existência.


Apesar de não ser musicólogo, compositor, maestro ou um expert do mundo harmónico, consigo sentir os seus efeitos e dentro da minha modesta erudição, sei que sou regido por ele, sendo por isso meu dever, atribuir-lhe a sua infinita grandeza.
Profetizo largas hipóteses de poder cair nas garras do criticismo, mas assumirei o risco e procurarei edificar as alegações necessárias com vista à defesa do meu ponto de vista, caso isso venha a ser necessário.
Isto pode advir pela afirmação que vou aprontar, com base nos meus conhecimentos que, muito embora não sejam de grande monta, apraz-me afirmar que sem o som, (sem música), o universo, no seu todo, seria quimérico.
A música não é mais do que o produto de uma multiplicação diferenciada de sons, nascidos de vibrações e dispostos de forma organizada sobre um documento chamado partitura, sobre a qual podem ser interpretados e regidos, elevando-os deste modo à condição sonora.
Apesar da sua diversidade na polifonia, ainda que as suas ondas de propagação não tenham ao mesmo comprimento dentro do sistema doplleriano, obedecem com total submissão a um tempo, a um ritmo, que goza de rigorosa universalidade. Só assim se compreende, que os entendidos na matéria consigam, em qualquer parte do mundo, independentemente da mão que prende a batuta, reger qualquer orquestra, por mais elementos ou por maior diversidade instrumental de que ela seja composta, mantendo sempre a justeza dos valores pautados.
O Universo é pulsante. É um elemento onde toda a matéria vibra, para dar origem à vida, à existência. Tudo nele está subjugado à lei das vibrações e das ressonâncias. São a sua alma. O próprio cosmos tem um pulsar ritmado, e, como a vida, na qual estamos inseridos, faz parte do todo universal; esse pulsar rítmico afecta-nos e mantém-nos sempre em harmonia com esse todo do qual fazemos parte, através daquilo que vulgarmente chamamos de, relógio biológico (ritmo da vida).
Este regulador de vida é inalterável, se não mais, pelo menos em toda a existência constituinte deste planeta; ainda que variem as latitudes, as longitudes, as condições climatéricas ou até mesmo o estado de espírito, a uniformidade do seu pulsar mantém-se e sempre em consonância com o diapasão cósmico.
É perante este inaudível pulsar que, alguns virtuosos, pela sua sensibilidade artística e acção criadora, conseguem organizar as partes dispersas, porém existentes, da sonoridade, em melodias cuja susceptibilidade afecta de alguma forma a nossa parte espiritual ao cruzar com os nossos sentidos.
A música pode levar-nos ao êxtase, à paixão, à agressividade, à dolência à luta. Ela interfere na subida ou abaixamento dos nossos níveis de adrenalina.
Quero aqui manifestar a minha admiração e prestar a minha gratidão a todos os virtuosos que, mercê da sua paciência e do seu espírito criativo têm conseguido bulir com a essência do ser vivente, através das suas desvairadas ou ziguezagueantes harmonias.  
Não quero deixar de aqui frisar que vibrações existem e não se ouvem, que podem levar um vivente para outra dimensão; mas isso, ainda que obedecendo na mesma, ao compasso cósmico, já é outra música.
Uma coisa é certa: sem música a inexistência do universo nem um facto será.

António Figueiredo e Silva
Coimbra


Tributo ao meu caro amigo “Zé” Firmino Morais Soares,
maestro, compositor, e professor do Conservatório
de Música de Coimbra.

Com dedicatória também a “Zé” Pedro Figueiredo,
maestro da Banda de Música de Loureiro.
Oliveira de Azeméis

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A MATILHA





A democracia muitas vezes significa o poder
nas mãos de uma maioria incompetente.
(George Bernard Shaw)


A MATILHA
(é isso mesmo)


Isto está mesmo entregue à bicharada. Estamos a ser mutilados por uma matilha sem vergonha, aonde se podem manifestamente constatar personalidades com sólida desfaçatez e profundo desprezo pelas massas que se propuseram (des) governar.  
 “Quem, obviamente, se mostre indignado que diga publicamente”. Comentário do ministro da Economia Álvaro Santos Pereira, em asserção à escolha de Franquelim Alves, antigo administrador do SLN/BPN, para secretário de Estado.
Não compreendo como antigo administrador do BPN, cujas qualidades organizativas são susceptíveis de serem questionáveis e postas em causa, por não ter conseguido suster a derrocada ruinosa daquela instituição bancária, foi agora laureado com o tacho de Secretário de Estado!?
Pode até ser, como afirma o primeiro-ministro, uma pessoa prudente e capaz, para o novo cargo que vai despenhar, contudo, à vista dos portugueses, o grau da sua incompetência é evidenciada pelo passado que, com culpa ou sem ela, facultou ou deixou que a coisa por ele administrada caísse na desgraça cujas consequências foram pagas compulsivamente (aqui não há dúvidas) pelo povo português.
Assim sendo, não acho – e penso que também uma grande talhada de portugueses – de boa política a sua escolha para fazer parte do já desmesurado enchimento do centro nevrálgico da nossa governação, que é o hemiciclo parlamentar.
Depois do “heróico motim” de Abril, com o aceno à democracia como divisa, ainda não vi passar por aquele espaço governativo ninguém que não fosse tido como competente, honesto, de palavra, não corrupto, etc. Enfim, aureolado com as mais nobres qualidades que se pode ambicionar de uma passo-a; no entanto, se isso se tivesse concretizado na realidade da certeza, certamente que não teríamos chegado ao patamar de maltrapilhos sem abrigo, a dormir ao relento da pedinchice sobre um colchão das “esmolas” causticantes mendigadas à Europa, que com a sua “puritana boa-vontade” pouco sensata no-las vai abonando, sem contudo levantar as mãos do nosso cachaço.
Neste argumento, não vejo por onde têm andado as virtudes que todos aqueles que se têm enaltecido com polida falsura entre si, tendo chegado deste modo à triste conclusão, de que toda a retórica esperrinhada até hoje, tem sido e continua a ser, um colossal fracasso.


António Figueiredo e Silva
Coimbra
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RESIGNAÇÃO PAPAL



RESIGNAÇÃO PAPAL
(Uma lição para Mundo)


Perante a minha erudição, é a primeira figura de que tenho conhecimento, que abdica de um cargo de livre vontade (penso) e em plena posse das suas faculdades intelectuais. É uma lição para muitos parasitas cá em Portugal, e para o Mundo em geral.
Bento XVI só mostrou ter a verdadeira noção do mais e do menos e optar pelo suficiente. Não é uma atitude vulgar, é um gesto de uma mentalidade suprema, cuja elevação merece ser evidenciada, para que muitos ambiciosos e imprestáveis, que se aparafusaram ao “trono” do poder, mercê de desmedida ambição e teimosia, possam ver nela um caminho a seguir; um exemplo de altruísmo e sensatez assente numa das facêtas da pedra doutrinal da ética e da moral, “conhece-te a ti próprio” e que o ser humano deve ter profundo conhecimento, conquanto que não tem vindo a seguir por essa difícil verêda.
Não, não sou daqueles fervorosos batedores de peito, contudo, alcanço conhecimento suficiente para ver naquele Homem, mas mesmo no seu todo, uma imagem e um gesto salutares. Bem-haja pelo ensinamento que deu a toda a cambada de fariseus que integram a sombra negra da Humanidade, tendo ao mesmo tempo clarificado que dogma ser Papa, é ser, acima de tudo, um ser humano e não um Deus, como havia sido promulgado na Quarta Sessão do Concílio, em 18 de Julho de 1870, pelo Papa Pio IX, cuja propagação e credo se mantiveram até aos dias de hoje.
Uma vez mais:
- BEM-HAJA BENTO XVI!

António Figueiredo e Silva
Coimbra
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

CHAMEM O SÓCRATES



CHAMEM O SÓCRATES


Eu compreendo que a situação financeira do nosso país está francamente pútrida e emoldurada de difícil, mas não impossível resolução. Sei que muitos de nós estamos a pagar por erros que não cometemos, mas porque sucessivos governos deixaram que por outros fossem cometidos, a soldo de uma impunidade sem limites onde apadrinhamentos de grande envergadura serviram de escudo protector para esses fins.
Não é em vão que as pessoas exibem com fúria o seu descontentamento face às diversas situações precárias em que se encontram. Têm razão. A instabilidade está severamente instalada nesta terra, mercê da politiquice pouco ou nada patriótica, muito negligente e bem agasalhada pelo manto da irresponsabilidade, que se instalou num ápice, na noite de 24 para 25 de Abril de 1974. Talvez o desígnio não tivesse albergado no seu seio o odre de uma madrasta, contudo, foi pervertida por uma doentia avidez de domínio em proveito próprio, alienando para o esquecimento os elementos que compuseram o grosso do ramalhete; a “arraia-miúda”.
Desde essa altura para cá, todos os governos que passaram por este país, uns mais generosos e magnânimos, outros mais esbanjadores e acamelados, lá vieram equilibrando a barcaça desequilibradamente, até que ela rebentou pelo costado, desmantelando a vida de muitos dos seus viandantes ao abalroar com uma situação de emergência no ancoradouro da “miséria”, ou perto dela.
O deplorável de tudo isto, é que a todos os que intencional ou desleixadamente prestaram a sua cooperação para o actual descalabro, não lhes foram, até agora, aplicadas quaisquer sanções punitivas que os obrigassem a beber do infortúnio por eles decantado, permitido ou semeado.
O apelo ao sufrágio nunca assentou em patriotismo nem num franco propósito de governação; assentou sim em contendas fomentadas por segmentações partidárias, que foram e continuam a ser dos meios mais acessíveis de ganhar estatuto social, enriquecer e viver faustosamente, mantendo sempre intocável o esmero da cretinice.
Salvo raras excepções, quando olhamos para a esfera dos tribunos, apenas podemos ver umas largas dezenas de “figuras” sem calo no cú, que em simbiose com uns hábeis oportunistas, estão à frente dos nossos destinos e ditam o que mais se lhes ajusta aos objectivos pessoais, mediante as conveniências, quer de uns, quer de outros.
E agora aí temos, com palestras de repetitivos recheios e envenenadas de acusações, mais um galhardo equestre pronto para a peleja política, na figura de António José Seguro, que também está a ser impulsionado um séquito de bastidores, aliás, como todos os outros. Mas acho que não é preciso tanta algazarra!... Papagaios, temos que chegue.
Temos um “verdadeiro patriota” que já conhecemos de ginjeira e fez o favor de nos colocar no topo da Europa – a contar de baixo. É bem melhor mendigar ao PS para chamá-lo. Ir buscar essa arara de raras virtudes.
Chaaaaameeem o Sóóóóóócrates, caramba!!!
António Figueiredo e Silva
Coimbra

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A ESTUPIDEZ



A ESTUPIDEZ*
(Ensaio sobre esta doença congénita)


Para quem tem dois dedos de testa, frequentemente se interroga sobre se o estúpido nasce assim ou se é estúpido porque quer.
Eu penso que a estupidez é de origem genética, porque consiste numa deformação do intelecto e até pode ser considerada como endemia incurável, uma vez que não existem registos de regressão; contudo, é sabido que ela progride com o avanço etário, tendo como única terapia a tumba.
Para um estúpido, por muitas lições que lhe queiramos dar, não a melhor mas a única, é deixar que ele bata com a cabeça na parede!... Mesmo assim, com alguma mágoa acabamos por constatar que ele continua estupidamente fiel às suas convicções, sacralizando as parvoíces delas decorrentes com a mais alta estima e parva consideração.
Reparemos nisto: quem consegue conversar, conviver, ou resolver algum problema com um estúpido?... É muito difícil, a menos que seja outro estúpido como ele ou com a hibridez de uma mula. Ainda há muitos!
Não é difícil conversarmos com um ignorante ou até mesmo moldá-lo numa pessoa de bem e respeitador dos valores da ética; mas com um estúpido isso raramente ou nunca acontece. O estúpido é calhau que não fragmenta aos golpes da marreta da razão. É requintado na velhacaria e na delação, não é propenso ao diálogo, é agressivo e teimoso até levar na “cornadura”, e, por norma tem - se calhar nem tem - a mania que é o maior e que todos lhe devem prestar vassalagem. Ora, esta situação até parece um paradoxo porque, não cabendo isto na cabeça de uma pessoa normal, tem no entanto espaço mais que suficiente no cérebro arenoso e árido do estúpido.
A diferença entre o ignorante e o estúpido, ainda que não aparente, é abissal; porque um, ainda que pouco, diz aquilo que sabe e pode apresentar uma versatilidade que lhe permite absorver os ensinamentos, mas o outro, o estúpido, verborreia sobre o que julga saber, com grandes probabilidades de não saber nada, e ainda sobre aquilo que desconhece. Por preceito, a estupidez é sempre acompanhada da ignorância, enquanto que a ignorância não tem necessariamente de conter estupidez. A estupidez, apesar de aparentar descontracção, funciona como um tampão ao conhecimento, sendo essa a razão porque deve ser muito triste ser-se estúpido.
As atitudes e as conversas do estúpido são tão estupidificantes como ele próprio, sendo por isso um ser irritante e cheio de limitações, que devido à sua estupidez ele nunca reconhece. É um ser com o qual não devemos perder o nosso tempo ou alimentar polémicas, para não corrermos o risco de sermos contaminados pela sua doença.
Dificilmente um estúpido tem amigos, a não ser que sejam tão ou mais estúpidos do que ele, porque de outra maneira está só. Pode ser até um “pária” endinheirado, dono de um império, com um bom carro, ou mesmo um carrinho de mão, um parvo com “dê erre” sem ter direito a isso, ou um simples lavrador ou “industrial” cavalar; quando minado pela estupidez, não é nada!... Não passam de desprezíveis imbecis, subsistindo porém uma pequena diferença entre eles; se têm dinheiro compram os “amigos” que um dia, mais tarde ou mais cedo os hão-de trair levando-os ao cadafalso, começando por lhe cortar na casaca; se são uns pobretanas, ninguém está para os aturar e são mandados apanhar búzios
A estupidez torna as pessoas maquiavélicas, implicativas, agressivas e brutas, isto é, até encontrarem um “bruto” que não seja estúpido como eles e se proponha a apertar o cabresto com uma tensão apropriada que os faça refrear essa estupidez.
O estúpido constrói à sua volta castelos de tijolos estupidificados de poder, que por falta de bases sólidas um dia lhe vão ruir em cima!... E ele, com cara de palonço e ao mesmo tempo de vítima, comprimido debaixo dos destroços da sua débil “construção” regouga para si: como pude ser tão estúpido?!... Já vi que a estupidez não compensa! Mas se nasci assim, que hei-de eu fazer?!...
O problema é que quando ele pensa o que nunca pensou, já é tarde de mais.
Costumo dizer que a estupidez é a espondilose espiritual, sendo como tal um dos piores infortúnios de quem a tem.

António Figueiredo e Silva

Coimbra


* Este ensaio é dedicado a todos os estúpidos
que eu conheço e aos que desconheço mas
que sei existirem, no sentido de os ajudar
 a pensar, se ainda forem a tempo, e deixarem
de poluir a coesão da harmonia social.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

UMA MANTA PARA FERNANDO ULRICK



"A ambição universal dos homens é
viver colhendo o que nunca plantaram."

(Adam Smith)
 
UMA MANTA PARA FERNANDO ULRICK

Como é evidente, não se deve fazer uma interpretação literal às locuções deste Sr.; contudo, já pode ser determinável o sentido de escravatura e cretinice que lhe minam a razão, imanentes do seu corroído estado de espírito que vê na quimera aurífera a absoluta felicidade. É por causa da avidez de fortuna fácil, alicerçada num entranhado raciocínio de sentido esclavagista que assim discursa, patenteando a miséria dos outros, como a forma mais precisa de vencer uma crise e paralelamente encher-lhe os bolsos, até agora abarrotados de cotão (?). Coitado!
Quando interrogadosobre se o país aguentava a austeridade, “ai aguenta, aguenta” - irónica e convictamente, respondeu.
“Se os sem-abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?”
Foi com desmedida descontracção e afincada arrogância que, convencido da sua eloquência determinativa, recitou estas verbações que certamente lhe granjearam numerosos “incensos” num linguajar indecoroso e nos mais requintados termos vernaculares do nosso português.
Vê-se que nunca comeu pão que o diabo amassou.
A título analógico, Maria Antonieta de França, que cuspiu palavras de semelhante sentido e demoliram a resignação aos “sem-abrigo”, colocando em seu lugar um sentimento de revolta e cólera que lhes consumiu e mêdo, acabou ela própria por deixar de cuspir.
Livremente da época e da diversidade das situações, as palavras devem ser sempre ponderadas antes de serem atiradas para o ar, porque a interpretação das mesmas, para além da sua construção linguística, tendem a adaptar o seu sentido às necessidades sociais que em determinada altura se vivem.
Sabemos que Mundo é pequeno e limitado, a sua efervescência cresce na razão inversa da descida dos meios de sobrevivência e o fosso que divide o feudalismo da plebe, está cada vez maior. A continuar assim, poderemos vir a ter de arranjar uma manta para Fernando Ulrick, que, não se sabe, poderá vir a cair sem dar por isso, no universo dos sem-abrigo.
 É pouco provável, mas não de todo impossível. Se isso sobrevier ele vai ter de aguentar. “Ai aguenta, aguenta!”
Pelo sim e pelo não, vá tendo sempre uma manta de salvaguarda, porque o dinheiro só compra o que na altura houver p’ra vender.

António Figueiredo e Silva
Coimbra
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